Secretaria de Saúde diz que ainda dispõe de R$ 150 milhões para combate à covid-19

Segundo o chefe da pasta, cerca de R$168 do valor de caixa da SES serão direcionados à pagamentos de dívida

Por O Dia

Rio de Janeiro - RJ  - 19/05/2020 - COVID 19 - Coronavirus no Rio - coletiva do governador Wilson Witzel apresentando o novo secretario de saude Fernando Ferry - Foto Gilvan de Souza / Agencia O Dia
Rio de Janeiro - RJ - 19/05/2020 - COVID 19 - Coronavirus no Rio - coletiva do governador Wilson Witzel apresentando o novo secretario de saude Fernando Ferry - Foto Gilvan de Souza / Agencia O Dia -
Rio - O secretário estadual de Saúde, Fernando Ferry, anunciou, durante uma reunião virtual, nesta quinta-feira, que a pasta conta com cerca de R$ 150 milhões para usar no combate à covid-19. Segundo ele, Ferry dos R$ 300 milhões em caixa da Secretaria de Estado de Saúde (SES), R$ 168 milhões já estão comprometidos para os pagamentos de dívidas.
A reunião foi realizada com a Comissão Especial de Fiscalização dos Gastos na Saúde Pública Durante o Combate ao Coronavírus, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Ferry está há pouco mais de um mês no cargo e disse que a pasta passa por uma reestruturação e que precisa "apagar incêndios" da gestão anterior.
"Tive que exonerar todos os subsecretários e montar um novo grupo de trabalho, reformulando toda a nossa equipe. Fiquei incrédulo no início do problema com todas as acusações e já deixo claro que não fui colocado aqui para esconder qualquer tipo de irregularidade", declarou o secretário.
Hospitais de campanha

A reunião foi conduzida pela presidente da comissão, deputada Martha Rocha (PDT), que deu início à assembleia questionando Ferry, quanto aos hospitais de campanha. Ele explicou que apesar de ter sido contrário à manutenção dessas unidades logo que assumiu o cargo, mudou de opinião e hoje prevê uma duração no funcionamento dos hospitais de cerca de três a cinco anos.
"Mudei de opinião após verificar o dispêndio alto já realizado nessas unidades e a falta de leitos que temos no estado. Se tivéssemos que reestruturar os hospitais que já temos teríamos que fazer obras grandes que iriam exigir um processo licitatório, que demoraria mais a ser finalizado. Na prática, essa operação não seria fácil" justificou.
Sobre as unidades em andamento, Ferry antecipou que em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, as obras estão 85% concluídas e que a Secretaria de Saúde avalia alugar leitos privados no momento. Já em Nova Friburgo, na Região Serrana, 95% da obra foi concluída. Ele também disse que a unidade de São Gonçalo, na Região Metropolitana, estava com inauguração marcada para esta quinta-feira, passando a ficar apta a receber pacientes.
No entanto, o relator da comissão, deputado Renan Ferreirinha (PSB), informou que visitou a unidade de São Gonçalo três vezes e que a estrutura no local está precária.
"Ouço dos muitos representantes do governo que os hospitais de campanha serão um legado dessa gestão, mas temo alertar que essas unidades não têm condição alguma de se manterem funcionando nem por um ano. Vistoriei hospitais de campanha que estavam com goteiras no teto e sem profissionais suficientes, como no caso da unidade do Maracanã", disse o parlamentar.
Em resposta, Ferry disse que vai estudar os apontamentos apresentados por Ferreirinha e analisar qual será a melhor decisão a ser tomada, principalmente em relação às questões judiciais.
Comitê de supervisão

A presidente da comissão também indagou o secretário com relação a realização de reuniões do Comitê de Supervisão dos Hospitais de Campanha, instalado no dia 18 de maio, para dar suporte à Secretaria de Saúde na fiscalização da estrutura montada pelo Estado, em caráter emergencial, para o atendimento às vítimas da covid-19. Ferry confirmou os encontros no Palácio Guanabara. "Já aconteceram algumas reuniões e foram feitas algumas considerações para que a gente tome medidas para apagar incêndio, mas nada além disso", afirmou.

Questionado sobre a prisão do ordenador de despesas da secretaria, Carlos Frederico Verçosa Duboc, realizada ontem (17/06), Ferry disse que a exoneração seria realizada ainda nesta quinta-feira. "Não podia exonerar Frederico sem antes esperar que ele me passasse o que já havia sido feito na secretaria, por isso mantivemos ele no cargo. Mas a partir de hoje eu serei o responsável direto pela ordenação de despesas na pasta", esclareceu o secretário.

Ferry ainda disse que está encontrando dificuldades em pagar os fornecedores porque muitos estão com os contratos vencidos. "Estamos passando um filtro dentro de todas as contas da secretaria. Encontramos vários contratos vencidos, motivo pelo qual estamos receosos de efetuar os pagamentos. Por isso, estou aguardando um retorno jurídico para saber como proceder. Mas já nos reunimos com os sindicatos dos enfermeiros e médicos para tentar minimizar os impactos que esses profissionais estão sentindo", concluiu.

O secretário voltará à comissão para prestar mais esclarecimentos. "Vamos marcar uma nova reunião com o secretário para que ele possa tirar as dúvidas que ainda não foram sanadas”, finalizou a deputada Martha Rocha.

Também estiveram presentes os seguintes deputados: Dr.Serginho (REP), Luiz Paulo (PSDB), Rodrigo Bacellar (SDD), Jair Bittencourt (PP), Dr. Deodalto (DEM), Márcio Canella (MDB), Márcio Pacheco (PSC), Flávio Serafini (PSol), Zeidan (PT), Pedro Ricardo (PSL), Monica Francisco (PSol), Waldeck Carneiro (PT), Enfermeira Rejane (PCdoB), Lucinha (PSDB), Jorge Felippe Neto (PSD), Welberth Resende (PPS), Alexandre Knoploch (PPS) e Valdecy da Saúde (PHS).

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