Marcas da diversão: árvores acumulam pipas "voadas" na Zona OesteDanillo Pedrosa
Por Danillo Pedrosa
Publicado 09/06/2020 08:30 | Atualizado 11/06/2020 11:38

Árvores, telhados e fios de energia denunciam: a temporada de pipas continua aberta no Rio de Janeiro, já que a quarentena prolongou o período de 'férias' para milhares de adultos e crianças. Nos bairros do subúrbio, as marcas da diversão estão por toda parte, com linhas e peões perdidos numa brincadeira para todas as idades. Basta o sol começar a baixar para o céu da cidade ficar mais colorido nos finais de tarde. 

Os responsáveis pelo espetáculo no céu costumam ficar nas lajes e quintais das casas, seja nas comunidades ou em áreas nobres da cidade. Mesmo a distância, a interação é grande entre os vizinhos que gostam do passatempo. 'Pode vir' e 'Bota outra' são alguns dos gritos que fazem parte do vasto repertório de gozações entre os colegas que, por enquanto, precisam se comunicar de longe.

A diversão havia sido deixada de lado por muita gente nos últimos anos, e as poucas aparições de pipas costumavam acontecer entre janeiro e março ou em julho, no período de férias escolares. A quarentena, porém, manteve mais pipeiros em casa, resgatando a velha tradição do subúrbio carioca.

"Achava que era o único pipeiro de onde eu moro. Hoje, vejo muita gente soltando. Legal ver as pessoas que estavam afastadas soltando também. Tenho observado mais gente se divertindo com as pipas, lembrando os velhos tempos", afirma Carlos Magno, morador de Campo Grande, empresário e presidente da Associação de Pipas Artísticas e Esportivas do Estado do Rio de Janeiro (Aperj). Aos 34 anos, ele tenta passar a paixão para os filhos Kauzinho, de 3, e Maria Fernanda, de 2, levando-os até o quintal para soltar pipa no tempo livre.

Carlos Magno, presidente da Aperj, solta pipa com os filhos do quintal durante a quarentenaArquivo pessoal

Para todas as classes

Tradição do subúrbio carioca, as pipas têm feito aparições até mesmo nos bairros mais nobres da Zona Oeste. Realengo é o bairro que tem mais tradição no assunto, com direito a peões no alto em quase todo fim de semana, mas até locais como Recreio e Barra da Tijuca têm sido tomado por pipeiros, que se divertem até em playgrounds de condomínios.

"Na Zona Oeste, Realengo, Campo Grande e Santa Cruz costumam ter mais, mas até no Recreio está tendo muita pipa na quarentena. Aqueles condomínios estão dando muito pipa. Recebo vídeos de amigos e vejo que até alguns famosos estão soltando pipas por lá",  conta Carlos Magno.

 

Pipa como esporte
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Vendas disparam na quarentena
Dono da Negão Pipas, em Campo Grande, Luciano Torres (e) é apaixonado pelo trabalho. Na foto, sua esposa Érika e os filhos João Gabriel e PedroDivulgação
Paixão que rompe fronteiras
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Espalhar a cultura das pipas pelo mundo é um dos sonhos dos pipeiros mais fanáticos do Rio de Janeiro. Carlos Magno, presidente da Aperj, organiza campeonatos nacionais, estudais e até sul-americano. No ano passado, inclusive, ele foi ao Chile pela quinta vez para participar de um grande festival em Santiago, que acontece durante o feriado da pátria.
"Foram cerca de 100 brasileiros. Ganhamos o primeiro, segundo e terceiro lugares. No chile, a pipa é profissional. Eles já fazem lá há muitos anos, mas não têm a mesma cultura daqui", explica Kau.
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A aventura dos brasileiros vai virar até documentário, que será lançado no dia 29 deste mês, data em que é comemorado o Dia da Pipa, que desde 2018 é considerada patrimônio histórico, cultural e imaterial do Rio de Janeiro.
 

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