Ítallo morreu na noite de terça-feira - Arquivo Pessoal
Ítallo morreu na noite de terça-feiraArquivo Pessoal
Por O Dia
Rio - O corpo de Ítallo Augusto de Castro de Amorim, de 7 anos, será enterrado na manhã desta quinta-feira, no cemitério de Vila Rosali, em São João de Meriti. O menino morreu na noite de terça, depois de ter sido atingido por uma bala perdida na cabeça, quando brincava na porta de casa, na Rua Ceci, no bairro Éden, no município da Baixada Fluminense.
"Vai ter só uma hora de velório", informou, aos prantos, a mãe do menino, Denise de Castro Simião, 47.
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De acordo com levantamento da ONG Rio de Paz, Ítallo é a 14ª criança morta vítima da violência do estado em um ano e meio do governo Wilson Witzel (PSC).
O menino vivia com a família em uma casa de três cômodos e apenas com o salário da mãe, que foi reduzido por causa da pandemia do novo coronavírus (covid-19). Ela, que trabalha em uma sorveteria perto de casa, recebe o auxílio emergencial do governo federal.
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Ao ver o filho caído no chão na terça, Denise chegou a dizer "levanta, levanta". Ela achou que o menino estava apenas deitado para se proteger dos tiros.

Fiz esse vídeo chorando mais saiu, Mais um Anjinho no céu, vai com Deus menino Italo VN Ta de Luto #ItaloVive

Publicado por Maicon Bolt em Terça-feira, 30 de junho de 2020
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Segundo familiares, Ítallo dormia todos os dias deitado no peito da mãe. Em cima da cama dele, há uma almofada com sua foto.
"Eu que criei meu irmão desde os seis meses. Ele era uma criança incrível. Eu amava muito meu irmão", disse uma das irmãs, Dandara Simião, 20, que estava em casa na hora em que Ítallo foi baleado. "Só escutei os gritos da minha irmã ".
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O menino foi baleado quando brincava com outras crianças na calçada da rua. Ele chegou a ser levado à UPA do bairro, mas não resistiu. Segundo testemunhas, não houve troca de tiros e o disparo que matou Ítallo teria partido de um rapaz que estava de moto, atirou contra uma viatura da Polícia Militar parada na rua e fugiu.
"Foram muitos tiros e alguns bateram num carro. Se não fosse isso, teriam atingido mais pessoas", relembrou a vizinha Carlene Pereira Passos, que estava com os filhos perto de Ítallo. Ela diz que os filhos estão traumatizados. "O de três anos não quer, mas o mais velho vai ao enterro. Ele vai se despedir do amigo. Eles eram muito ligados".
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Galeria de Fotos

Cama onde o menino dormia Divulgação / Rio de Paz
Criança foi baleada na noite desta terça na porta de casa Arquivo Pessoal
Tiro que atingiu garoto teria partido de bandido que atirou contra PMs Reprodução da internet
Criança foi baleada na noite desta terça na porta de casa Arquivo Pessoal
Ítallo morreu na noite de terça-feira Arquivo Pessoal
Uma prima contou que Ítallo quase não brincava na rua e gostava mais de ficar em casa mexendo no celular.
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"A bateria (do aparelho) tinha acabado e ele foi para a rua com a mãe porque ela foi levar uma amiga até o portão de casa", contou.
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), responsável pelo caso, investiga se o assassinato de um homem por traficantes de Mesquita tem alguma ligação com a morte do menino. Ele pode ter sido o responsável pelo disparo que atingiu Ítallo.