Estudante de medicina é suspeito de usar CRM falso para trabalhar em hospital do Rio

A Polícia Civil está investigando o caso e descobriu que o universitário usava registro de um médico que atua no Norte do estado

Por Thuany Dossares

Davi Paula Torres de Souza
Davi Paula Torres de Souza -
Rio - Um estudante de medicina está sendo investigado pela Polícia Civil por usar um CRM falso para trabalhar no Hospital Municipal Francisco da Silva Teles, PAM de Irajá, na Zona Norte do Rio. De acordo com as investigações da 38ª DP (Brás de Pina), Davi Paula Torres de Souza, de 28 anos, ainda não se formou e estava usando o registro com nome de outro médico.

O delegado Maurício Mendonça, titular da distrital, informou que na quinta-feira recebeu uma denúncia de que um falso médico estaria trabalhando na unidade de saúde e que se encontrava de plantão. Em seguida, ele enviou uma equipe ao Hospital Francisco da Silva Telles para apurar o fato, mas Davi foi embora ao ver a presença da polícia.

Na unidade de saúde os agentes descobriram que o universitário se identificava como Davi Cotrim e que era o responsável pela ambulância UTI móvel.

"O motorista e a enfermeira da ambulância confirmaram que o “Dr. Davi Cotrim” encontrava-se de plantão e que o esperavam para um atendimento médico externo. Foi realizado contato com o telefone celular de “Davi Cotrim”, porém o mesmo informou que já havia visto a equipe policial na porta do hospital e que não retornaria mais ao local", informou a Polícia Civil.

Universitário na Argentina

Os policiais da 38ª DP realizaram diligências também em um endereço cadastrado no nome de Davi Paula Torres de Souza. Os agentes encontraram a ex-esposa dele, que informou que o jovem ainda cursa medicina numa faculdade na Argentina e não se formou.

Nos conselhos de medicina, também não foi encontrado nenhum registro com o nome de Davi Paula Torres Reis.

A distrital ainda apurou que Davi utiliza o CRM de um médico que atua nem estado do Norte Fluminense.

O advogado do estudante chegou a ligar para os policiais para saber o que estava acontecendo. O DIA ainda tenta contato com a defesa.

Contratado por empresa terceirizada

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio informou que o "investigado atuava como contratado pela empresa Tuíse, que oferece serviços de ambulâncias e é responsável pelas contratações de profissionais que atuam nos transportes de pacientes".

A SMS nega a informação de que Davi Paula tenha atuado nos plantões do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles como médico, mas se colocou à disposição da polícia para ajudar nas investigações. 
"O que precisa ficar claro é que este cidadão não é médico da Secretaria Municipal de Saúde. Ele Prestava serviço à uma empresa de transporte de pacientes, e essa empresa contratou um profissional como médico sem que ele tivesse de fato habilitação para o exercício da profissão, e isso é crime. Portanto essa empresa deve ser responsabilizada. Queremos que isso seja apurado com todo rigor. Não podemos admitir essa fraude", declarou o subsecretário da pasta, Jorge Darze.

Segundo a Polícia Civil, a empresa contratante alega que foi ludibriada pelo falso médico no momento da contratação com a apresentação de documentos falsos.

O DIA procurou a empresa Tuíse, mas não conseguiu respostas.

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