Uma das formulações testadas conseguiu inativar 99,9% de partículas virais do novo coronavírus - AFP
Uma das formulações testadas conseguiu inativar 99,9% de partículas virais do novo coronavírusAFP
Por Agência Brasil
Rio - Testes realizados no Laboratório de Tecnologia Virológica (Latev) de Bio-Manguinhos confirmaram a eficácia contra o coronavírus SARS-COV-2 de um tecido com propriedades antivirais.
Financiado pelo Edital de Inovação para a Indústria do Senai, o projeto é uma parceria entre a empresa catarinense Diklatex e o Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (Senai/Cetiqt).
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Os resultados foram apresentados em uma transmissão ao vivo na tarde desta quarta-feira. Segundo os pesquisadores, uma das formulações testadas conseguiu inativar 99,9% de partículas virais do novo coronavírus e dos vírus do sarampo e da caxumba.
Contra o agente causador da covid-19, a inativação se concretizou em apenas um minuto após o contato do microorganismo com a máscara.
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O trabalho para desenvolver o tecido começou em março e envolve uma equipe de médicos, microbiologistas e engenheiros. Os testes foram realizados em Bio-Manguinhos, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), devido ao nível de segurança requerido para as pesquisas.
A chefe do Latev, Sheila Maria Barbosa de Lima, destacou que a pesquisa faz parte do esforço da Fiocruz de enfrentar um dos maiores desafios de sua história no ano em que completa 120 anos.
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"Nosso desenvolvimento tecnológico aqui trabalha na frente de vacinas, kits diagnósticos, fármacos. Essa parte de tecido é totalmente nova pra gente".
A pesquisa primeiro testou a eficácia dos tecidos nos vírus causadores do sarampo e da caxumba, que requerem laboratórios com nível de segurança NB-2. Os dois antígenos foram escolhidos por suas semelhanças moleculares e na forma de transmissão com o SARS-CoV-2.
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Com as melhores formulações selecionadas, os cientistas partiram para o laboratório com nível de segurança NB-3, exigido para realizar testes com o novo coronavírus.
Os pesquisadores estudaram variações de prata, zinco e compostos orgânicos, buscando produtos leves, que não agredissem a pele ou afetassem a respiração.
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O engenheiro têxtil Eduardo Habitzreuter, da Diklatex, explicou que a formulação mais eficientes teve ainda outras vantagens em relação às demais: "Uma das principais vantagens é um custo mais baixo, e, por ser biodegradável, a gente fica mais tranquilo com o descarte".
A ideia é usar os tecidos em itens hospitalares que poderão ser lavados e reutilizados, como máscaras e aventais, que requerem especificidades diferentes.
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No caso das máscaras, por exemplo, a respirabilidade é um componente importante. Já nos aventais, os pesquisadores buscaram resistência a rasgos e a líquidos, por exemplo, além da ação antiviral.
No caso das máscaras, o tecido desenvolvido também possui filtragem bacteriana superior a 80%. Os testes demonstraram ainda que a ação antiviral resiste a 25 lavagens caseiras.
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Segundo o engenheiro Raphael Bergamini, do Senai/Cetiqt, os pesquisadores devem trabalhar agora para elevar também o nível de proteção bacteriana e certificar o material junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O coordenador da plataforma de Fibras do Instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e Fibras, Adriano Passos, destacou os benefícios que a parceria pode trazer para a inovação no país.
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"Isso abre portas para outras metodologias, porque, às vezes, a indústria têxtil sofre para mandar isso para fora do país para fazer análises, porque tem um custo".