Na outrora movimentada Lapa, reduto da boemia carioca, bares fechados e ruas vazias - Ricardo Cassiano/Agencia O Dia
Na outrora movimentada Lapa, reduto da boemia carioca, bares fechados e ruas vaziasRicardo Cassiano/Agencia O Dia
Por Yuri Eiras
Rio - A voz de Francisco Alves eternizou 'A Lapa', sucesso do fim da década de 1940. Nos versos, "a Lapa está voltando a ser a Lapa", o compositor Herivelto Martins celebrava a chegada de uma nova fase da malandragem carioca, "confirmando a tradição". Pois, com a pandemia, a região não voltará tão cedo a ser como o carioca conheceu. Boêmios estão recolhidos, e os barraqueiros, sem trabalhar há quatro meses, no sufoco. Na próxima sexta-feira (24), os tradicionais comerciantes dos Arcos - são quase 70 legalizados - farão protesto em frente à Prefeitura pedindo o retorno das atividades.
Marcelo Lopes vendia pizzas nos Arcos. Recolheu a barraca em março, e desde então não tem outra renda. Já deixou de pagar água, luz e cartão de crédito. "Moro com o meu irmão que é deficiente físico. Consegui o auxílio de R$ 600. Eu aluguei um quarto na própria Lapa, então todo o manuseio dos alimentos era no próprio bairro. Era o aluguel da minha casa, aluguel da barraca. Estou num sufoco financeiro. Está inviável. Água, luz e três meses de aluguel estão sem pagar. Para sobreviver, estou deixando de pagar as contas", lamenta o comerciante. "Eles prorrogam de 15 em 15 dias. Quando chega no dia, prorrogam por mais 15. A gente fica na incerteza. Não sabe quando vai recomeçar a atividade. Queríamos uma data".
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André Pacheco produzia yakisobas em sua barraquinha. É outro que tem andado no fio da navalha. "Não recebi auxílio, muitos amigos também não. A prefeitura está liberando bares, restaurantes, e várias feiras especiais de arte e artesanato também voltaram. A Feira da Lavradio, por exemplo, retornou. Mas, nossa feira continua fechada. Não tem data. Eles deram uma cesta pequena, que não dá para nada. Só queremos que a prefeitura nos dê atenção. Diga qual vai ser a data, o novo horário, quais vão ser as regras".
Reunidos, os barraqueiros marcaram uma manifestação para sexta-feira, às 10h, em frente à Prefeitura, na Cidade Nova. Em carta aberta ao prefeito, eles "reivindicam a negociação de retorno de suas atividades, respeitando a regra de ouro estabelecida pela Prefeitura, e com horário excepcional de 16h às 23h". Os trabalhadores da Feira Noturna Turística de Copacabana, tradicional na Avenida Atlântica, Na Zona Sul, também pedem definição "urgente".
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Secretaria diz que estuda retomada, mas sem data
Em nota, a Coordenação de Feiras, vinculada à SMDEI (Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação), afirmou que "está sendo feito o planejamento de retomada, mas ainda não há data para o retorno, por se tratar de equipamentos que vendem lanches e bebidas alcóolicas, que gera aglomeração e aumenta o potencial de contaminação".