Da escola municipal para os festivais de cinema

Projeto de audiovisual criado em escola municipal do Rio capacitou alunos para produzirem filmes que agora concorrem à premiações

Por Maria Clara Matturo*

Com a inciativa, alguns alunos tiveram a oportunidade de ir ao cinema pela primeira vez
Com a inciativa, alguns alunos tiveram a oportunidade de ir ao cinema pela primeira vez -
Rio - Empoderamento, capacitação e visibilidade são os três pilares do projeto #CinEscola, criado pelos professores Ygor Lioi, Nathalia Sarro e André da Costa Pinto. A iniciativa que nasceu na Escola Municipal Adalgisa Nery, em Santa Cruz, levou cem alunos ao cinema, alguns deles pela primeira vez. Mas, essa não foi a maior realização do #CinEscola. Por meio do projeto, a ex aluna do colégio Ariany de Souza, de 15 anos, conseguiu produzir o curta metragem "Inspirações", que foi escolhido para duas mostras do 15º Festival Taguatinga de Cinema.
Um dos professores que idealizou o projeto, Ygor Lioi, contou que queria dar aos alunos a oportunidade de contar suas histórias: "há cerca de dois anos atrás eu fiz um curso de audiovisual e rodei um filme sobre a história do meu avô que foi jogador de futebol. Assim como eu, aos 29 anos, pude contar uma história minha e da minha família, quis dar essa chance dos meus alunos. E eu queria ouvir a história deles, conhecer essas memórias que muitas vezes não são contempladas no ensino tradicional".
Na hora de fazer os estudantes comprarem a ideia, Ygor superou as expectativas: "quando falei em fazer filmes eles ficaram com um pé atrás, não se sentiam capazes. Então comecei a ligar para as pessoas mandarem vídeos motivacionais, o primeiro que consegui foi o do Zico. Quando passei o video parecia que tinha um anjo na sala, eles nem acreditavam que ele estava falando da nossa escola. Essas coisas fizeram eles acreditarem em si mesmos". 
O autoconhecimento foi uma área bastante provocada pelos alunos durante o projeto, a ex-aluna Ariany de Souza compartilhou um pouquinho da sua experiência: "A partir daí comecei a acreditar mais no meu lado artístico, que era algo que eu tinha mas não queria acreditar. Uma menina da zona oeste, negra, conseguir fazer um filme como diretora e atriz principal? Isso influenciou muito pra mim. O meu filme fala sobre isso, se você tem talento e acredita em algo, não importa aonde você mora e você não desistir e acreditar nos seu sonhos". 
*Estagiária sob supervisão de Bete Nogueira
 

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