Pais de alunos fizeram manifestação em frente à prefeituraCléber Mendes
Por Rachel Siston*
Publicado 22/07/2020 00:00
Pais e mães de alunos da rede municipal de ensino do Rio realizaram uma manifestação ontem, em frente à prefeitura, para reivindicar o pagamento do Cartão Alimentação no lugar das cestas básicas oferecidas no Kit Merenda da Secretaria Municipal de Educação (SME). Os responsáveis alegam que faltam alimentos e que produtos vêm abertos, fora da validade ou estragados.

Os benefícios foram anunciados depois da paralisação das aulas, por conta da pandemia do novo coronavírus, já que para alguns estudantes, a refeição oferecida na escola era a única do dia. Antes, o Cartão Alimentação, no valor de R$100, seria pago apenas para beneficiários do Bolsa Família, mas no último dia 7, o prefeito Marcelo Crivella estendeu o auxílio aos 641 mil alunos da rede, reduzindo o valor do cartão para R$50, para atender a todos, segundo Crivella.

Mas, de acordo com os movimentos Brigadas Populares e Passeata das Mães, em quatro meses sem aulas, foram distribuídas apenas 210 mil cestas e 240 mil cartões. Mãe de uma aluna de 2 anos do município e moradora de uma ocupação entre a Pavuna e o Jardim América, Zona Norte, a estudante Talita da Silva, de 22 anos, conta que recebeu o pagamento do cartão em abril, no valor de R$100, mas outras recargas não foram feitas.

“O cartão recarregou em abril e depois nunca mais. Também não recebi nenhuma cesta, a direção entrou em contato só com algumas mães, e quem recebeu disse que a comida não dá para um mês e que alguns produtos vieram estragados. Estou à base de doação, às vezes consigo, às vezes não”, lamentou a estudante.

Morando na mesma ocupação e desempregada depois do falecimento da patroa por covid-19, Adriana Furtado, 40, tem pedido doações e ajuda nas ruas para alimentar os filhos. Mesmo com uma filha de 9 anos matriculada na rede municipal, a família não recebeu cesta básica ou o cartão alimentação.

“Não consegui cesta, nem cartão. Tenho um bebê que depende de complemento alimentar, que é caro. Eu vejo outras mães pegando cestas ruins, com alimentos estragados, faltando. Peço ajuda nas ruas, mas nem sempre consigo. Está sendo muito difícil.”

Em nota, a SME afirmou que já foram entregues 350 mil Kits Merenda, entre cartões e cestas básicas, e que outras 50 mil cestas estão sendo entregues esta semana. A pasta diz ainda que, no momento, está distribuindo apenas a cesta básicas e que os cartões já repassados tinham R$100 com validade para dois meses.

Também desempregada, Patrícia Custódio, de 43 anos, relatou que não recebeu novas recargas do Cartão Alimentação e que em sua última cesta básica, faltaram arroz e feijão, e vieram duas caixas de ovos podres. “Quando eu disse que estava faltando arroz e feijão, a coordenadora do CRE me disse que não podia fazer nada. Eu estou muito triste, muito sentida com tudo isso. Eu estou desempregada e hoje não tenho nem arroz para dar para o meu filho comer”, desabafou Patrícia, que vive em uma ocupação em São Cristóvão.

Questionada sobre a qualidade e a quantidade de produtos das cestas básicas, a Secretaria Municipal de Educação (SME) disse que os responsáveis precisam levar o alimento à Coordenadoria Regional de Educação (CRE) onde pegou a cesta para ser trocada. "Vale ressaltar que os alimentos são para os alunos. Os Kits Merenda foram calculados para o que aluno consome nas escolas durante os 22 dias letivos do mês. Lembrando que este é um período de férias escolares, que teria metade dos dias normais de aula. Mesmo assim, a Secretaria está distribuindo as cestas integralmente”, diz a nota.

Representantes dos dois movimentos foram recebidos pelo subsecretário de gestão da SME, Luiz Antônio Silva Santos, e na reunião foi determinado que as cestas básicas seriam substituídas pelos cartões, no valor de R$50, a partir do dia 23 de agosto. Além disso, foi estabelecido um cardápio para as cestas, já que as famílias não estavam recebendo os mesmos produtos.

“Essa já é uma vitória, porque as cestas básicas estavam vindo muito ruins, não dava para ser utilizada. Nós reivindicamos o cartão de R$100, mas já tivemos um avanço. Enquanto não pagam, a orientação é conferir os alimentas e, se tiver algo estragado, trocar na hora. A luta continua, para que a gente consiga aumentar o valor do cartão”, disse Michelle Xavier, do movimento Brigadas Populares.
* Estagiária sob supervisão de Gustavo Ribeiro

Você pode gostar

Comentários

Publicidade

Últimas notícias