Alexandre Zuza, o 'Xandão': máscara especial para beber - Luciano Belford
Alexandre Zuza, o 'Xandão': máscara especial para beberLuciano Belford
Por Luana Dandara e Felipe Gavinho*
Rio - Breja, cervejinha, loira, birra... os apelidos vão do gosto de cada um. O fato é que hoje, em pleno sextou, a bebida mais amada pelos cariocas é comemorada no mundo inteiro, no Dia Internacional da Cerveja. E eles prometem brindar. Nos bares da cidade, cervejeiros contaram como estão fazendo para 'tomar uma' durante a pandemia e o que tanto os encanta na gelada.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), no 2º trimestre deste ano, a população do Estado do Rio consumiu impressionantes 288 milhões de litros de cerveja. E mesmo com os botecos fechados durante boa parte desse tempo, a redução de vendas foi de apenas 4% em relação ao mesmo período de 2019.
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Alexandre Zuza, de 46 anos, é morador da Praça Varnhagem, tradicional reduto cervejeiro na Tijuca. E para apreciar a bebida, o Xandão, como é conhecido, encomendou até uma máscara especial: ela conta com um zíper na boca. "Nesses tempos em que o abraço faz tanta falta, a minha companheira tem sido a cerveja, então acabei bebendo até mais na pandemia. Não tem hora e nem motivo para beber cerveja. Está estressado? Ela ajuda a relaxar. Está feliz? Ela faz parte da comemoração. Está triste? Bebe que melhora", brincou ele, enquanto brindava com os amigos no Bar Zulmira, ontem.
Para Zuza, voltar para o boteco ainda está sendo uma readaptação. "Pedir o delivery de cerveja por aplicativo é o que mais tem funcionado. Mas claro que faz falta a resenha no bar, então estou voltando devagar, cuidadoso, sempre com o álcool gel, distanciamento e minha máscara personalizada", enfatizou.
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Por sua vez, o funcionário de obras Fernando Brito, 33, acredita que reduziu o consumo da bebida enquanto estava quarentenado. Agora, com a volta dos bares, ele retomou a tradição de 'tomar uma' após o expediente. "Sair do trabalho e beber cerveja é outra experiência. Em casa a gente bebe mais devagar, com a família", contou.
Para os amigos Maria da Glória, 48, e Ciro Souza, 57, a cervejinha é motivo de união. "A cerveja por si só é uma ótima companhia. Mas beber com os amigos é diferenciado. Isso fez muita falta, bater um papo na mesa do bar, ver as pessoas", contou Ciro.
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Os primeiros registros de fabricação de cerveja têm aproximadamente 9 mil anos A.C e remetem aos Sumérios, povo mesopotâmico. E a terceira bebida mais popular do mundo é tão a cara do Rio que foi aqui que foi fundada a primeira fábrica da bebida no Brasil, em 1853, na cidade de Petrópolis.
Vendas da cerveja no Rio surpreenderam
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Segundo Paulo Petroni, diretor da CervBrasil, foi uma surpresa positiva a redução de apenas 4% no consumo da bebida, no Rio, na pandemia. "No final de março e começo de abril, todos os bares fecharam. A rapidez que as grandes empresas trabalharam os produtos e os preços foi uma coisa incrível. O volume praticamente se manteve, só os preços que caíram", afirmou.
O diretor da associação também destacou os motivos que fizeram com que o estado não sofresse uma grande queda das vendas. "A base de comparação de 2019 era baixa, a cerveja foi colocada quase a preço de fabricantes e o gosto do carioca pela cerveja é impressionante. A cerveja é um dos poucos prazeres baratos".
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*estagiário sob supervisão de Gustavo Ribeiro