PM irá reforçar o policiamento durante o final de semana e o ferido do Dia da Independência  - Gilvan de Souza
PM irá reforçar o policiamento durante o final de semana e o ferido do Dia da Independência Gilvan de Souza
Por RENAN SCHUINDT
Publicado 14/08/2020 19:45 | Atualizado 15/08/2020 08:29
Rio - Um relatório elaborado pela Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro, atualizado até quarta-feira a pedido de O DIA, revela que 800 policiais encontram-se afastados para tratamento por problemas psicológicos na corporação. Os dados podem ser reflexos de um cotidiano violento marcado por operações arriscadas, confrontos e muitas fatalidades. Em busca de reequilibrar o lado emocional, 2,5 mil agentes de segurança de todo o país começam, neste sábado, um curso online com base em técnicas neurolinguísticas que propõe a reflexão sobre memórias traumáticas e os objetivos de vida.

O curso foi motivado pelo alto número de suicídios cometidos por policiais no país, em 2018: 104 casos, registrados pela 13ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número, aliás, foi maior do que o de policiais mortos durante o horário de trabalho, em situações de confronto daquele mesmo ano (87 casos).
Policial militar, X, de 37 anos, prefere não se identificar. Há cinco anos na corporação, ele sabe bem o que é lidar com os momentos traumáticos no horário de serviço. "O psicológico já estava saturado de tanta violência”, diz. Há menos de um ano, X, buscou ajuda médica. Diagnosticado com síndrome do pânico, distúrbio de ansiedade caracterizado por ataques súbitos, tremores e medo de morrer, entre outros sintomas, recebe acompanhamento médico e faz uso de medicamentos controlados. Sobre a literatura, descoberta no período em que esteve afastado, diz ter encontrado "uma nova terapia". Às vésperas do curso online, o policial diz que este será mais um passo rumo à sua recuperação. “Espero me reencontrar”, afirma.
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As aulas terão duração de cinco dias e serão oferecidas pela Federação Brasileira de Coaching Integral Sistêmico (Febracis), sem custo aos agentes. Eles poderão assistir de qualquer lugar, basta estarem conectados à internet. A mentoria será feita por um dos maiores especialistas no assunto, Paulo Vieira. Ele explica que um dos objetivos é ensinar os participantes a lidarem com o estresse que a profissão muitas vezes impõe. 
Curso promovido pela Febracis será ministrado por Paulo Vieira e transmitido via internet - Divulgação
“São pessoas que estão no piloto automático, mas que não podem se conformar com esse cenário. Conviver com o risco, com perdas diárias, da forma como eles convivem, não é normal. Como alunos, vão poder dar início a uma mudança interior, pessoal. É um processo que requer paciência. Quando isso acontece, ganha o policial, a família, a corporação e toda a sociedade”, afirma Vieira.
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O método aplicado por Paulo utiliza conceitos de neurociência, física quântica e programação neurolinguística – técnica que trabalha o ajuste da linguagem oral e corporal para se obter os resultados. Entre as atividades propostas, há exercícios que envolvem abraços, o chamado ‘olho no olho’ e a repetição de palavras-chaves. Nesse caso, tudo foi adaptado para a internet.
Detentos também participam
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E não são apenas os policiais que vão receber a mentoria de Vieira. Durante o curso, cerca de 3 mil detentos também estarão conectados em tempo real com o professor. “Esse é um outro lado da sociedade que precisamos ajudar. Todos merecem uma oportunidade de mudança. É isso que eles buscam”, conta Paulo.
De acordo com a Febracis, cada penitenciária é responsável por selecionar os alunos. As aulas serão transmitidas pela internet, diretamente para as salas de aula dos presídios participantes.