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Lives ditam o ritmo dos novos tempos para público e artistas durante a pandemia

Por ANA CARLA GOMES
Dia 31 de julho, última sexta-feira do mês. No YouTube, a sintonia é na live de Milton Nascimento. Bituca, como é carinhosamente conhecido, canta 'Nos bailes da vida': "Todo artista tem que ir aonde o povo está...".
E sempre foi assim. Nos barzinhos, que viraram palco de origem de grandes cantores, nas casas de shows, nos ginásios ou nos estádios: o artista estava lá e o público também. Fiel, a plateia ficava sentada à mesa, acompanhando a voz e o violão; ou de pé, aguentando o cansaço das pernas e testando a potência da voz naquele coro que arrepia toda vez que volta à memória.
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Como não lembrar de Elymar Santos, um cantor do circuito de churrascarias, que alugou o Canecão em 1985? Ele, no caso, foi e ainda levou junto o seu público para a icônica casa de shows, que fechou faz tempo. Agora, muitas outras estão vazias. Em tempos de luta contra a pandemia, os espetáculos estão na fila de espera. Mas o artista continua indo aonde o povo está. Pelas lives, que atraíram o mercado publicitário, eles chegam à casa do público. Em tempo real.
E os aplausos? Os comentários parecem ser o novo termômetro dos músicos. O número de visualizações é a maneira de dizer que alguém cantou com casa cheia.
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No Dia dos Pais, Zeca Pagodinho subiu ao Morro da Urca, que já recebeu a badalação de 'Noites Cariocas', para uma live com superprodução e o Cristo ao fundo. Moradora de Botafogo, uma amiga aproveitou a imagem panorâmica para apontar seu prédio lá embaixo, como se dissesse: "Estou aqui fazendo coro na fila do gargarejo".
O Renascença, no Andaraí, foi palco, na primeira segunda-feira de agosto, do reencontro de Moacyr Luz e seus músicos. Só eles no Rena para reeditar o "Samba do Trabalhador". Em 15 anos, virou aglomeração de alto astral, brindes e muita cantoria, que Moa popularizou.
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Quem já foi conhece 'A Reza do Samba': "Segunda-feira é das almas. É bom também de sambar...". As orações seguem firmes e fortes para quem tem fé, mas o ritual do samba, esse sim, anda bem diferente. Tudo ficou estranho no mundo inteiro e também no dos bambas.
Moa, que compôs a pérola 'Saudades da Guanabara' ao lado de Paulo César Pinheiro e de Aldir Blanc, esse um grande parceiro de quem se despediu vítima da covid-19, certamente está saudoso. Nessa música, ele canta: "Eu sei/Que o meu peito é lona armada/Nostalgia não paga entrada...". Há tempos, Moa e seus parceiros já avisavam: revisitar o passado é livre.
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