Casos de coronavírus voltam a crescer no Rio

No município, de acordo com dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde, foi registrada uma alta de 122% na média diária

Por GUSTAVO RIBEIRO E JULIANA PIMENTA

Após estabilização, casos voltam a crescer no Rio
Após estabilização, casos voltam a crescer no Rio -

A ameaça de uma nova escalada de casos de covid-19 no Rio, verificada pelo jornal O DIA desde o início de agosto diretamente em hospitais da Baixada e da capital fluminense, já se reflete nos números oficiais.

Levantamento feito ontem nos balanços diários divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) revela que o número de novos casos confirmados no estado nos primeiros 21 dias deste mês já é 33,44% maior que o registrado no mesmo período de julho - 39.823 notificações em agosto contra 29.843 no mês passado.

A situação também é preocupante na cidade do Rio, onde foi registrada média de 803,28 novos casos por dia entre 14 e 21 de agosto, contra média diária de 361,85 nos sete primeiros dias do mês. É uma alta de 122% na média diária de novos casos no município.

A tendência de alta nas estatísticas é confirmada pela ocupação dos leitos de UTI e enfermarias. Na rede SUS do município do Rio - que inclui unidades municipais, estaduais e federais - a taxa de UTIs ocupadas chegava ontem a 67%, um aumento de seis pontos percentuais em relação a 14 dias antes. Já os leitos de enfermarias estavam 46% ocupados neste sábado, contra o índice de 36% de ocupação em 8 de agosto - duas semanas antes. Os dados da ocupação dos leitos da rede SUS são da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

A alta também é sentida nos hospitais. "Tenho percebido um aumento na demanda de atendimento e internações de casos de covid nas últimas 2 semanas. Não acho que seja segunda onda, mas ainda reflexo da primeira onda. Certamente reflexo da flexibilização desorganizada que tivemos aqui", argumenta o infectologista Alberto Chebabo.

Em relação às mortes, também houve aumento nas médias diárias. Considerando os intervalos de 31 de julho a 7 de agosto e de 14 a 21 de agosto, a média de óbitos saltou de 78,71 por dia para 99,28 por dia no Estado do Rio. Na capital, a alta foi de 40,85 novas mortes diárias para 53,71. Observando os 21 primeiros dias de agosto e de julho, no entanto, houve queda de 21,43% nos óbitos.

O QUE DIZEM AS SECRETARIAS DE SAÚDE

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirma que "até o momento, não se revelou necessária a abertura de novos eleitos para atendimento de Covid-19 em função dos baixos índices de ocupação e por haver vagas disponíveis para atendimento de Covid-19 na rede regular de saúde". Acrescenta ainda que "de acordo com acompanhamento feito pela Secretaria Extraordinária de Covid da SES, os indicadores de óbitos no estado estão em queda sustentada (ao analisar a data de ocorrência do evento) desde a semana epidemiológica 19, que começou no dia 03/05 indo até 09/05". Além disso, segundo a SES, "atualmente, estamos na semana epidemiológica 34, que teve início em 16/08 e termina hoje (22/08).

A pasta estadual ressalta, quanto ao número de óbitos, que "houve redução de 82,5% na comparação entre o pico da pandemia, nas duas primeiras semanas de maio, e as duas últimas semanas de julho".  E que, "enquanto há três meses ocorreram em média 258 mortes por dia decorrentes da Covid, em julho foram 45 óbitos por dia, como indica a plataforma estadual Painel Coronavírus".

Ainda de acordo com a SES, "em relação às internações, não foi constatada tendência de aumento no sistema de informação da rede estadual, ao comparar as semanas epidemiológicas". Segundo o órgão, "é comum que algumas unidades de saúde recebam mais pacientes, devido à desmobilização de leitos em outros locais, fazendo com que os hospitais de referência concentrem as internações."

Já a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informa que "o aumento na taxa de ocupação é um reflexo do fechamento de leitos dos hospitais de campanha do Estado". De acordo com a pasta municipal, atualmente a Prefeitura do Rio tem 881 leitos para Covid-19 e, desse total, 251 são leitos de UTI. A prefeitura argumenta que não existe repique de casos da covid.

"Os casos confirmados levam em consideração as datas de notificação, que não necessariamente são as mesmas de quando a pessoa apresentou os sintomas. Um dos motivos é aumento da disponibilidade de testes, que confirma que a pessoa teve a doença, mesmo que não tenha tido sintomas ou já não esteja ativa no organismo. É preciso observar também que, em alguns momentos, a liberação de resultados de exames positivos acumulados nos laboratórios colabora com este aumento nos números de casos confirmados", diz a SMS, em nota.

Ainda segundo a SMS, "outro motivo é que, desde 1º de agosto, houve uma mudança nos critérios de definição de casos confirmados pelo Ministério da Saúde, que passou a confirmar casos baseados no quadro clínico sem a necessidade de confirmação laboratorial. Esta alteração foi comunicada por Nota Técnica SVS/SES 31/2020 (com atualização das definições operacionais para a Vigilância de COVID-19) [...] O mesmo acontece com os óbitos sem confirmação laboratorial, mas que apresentam critérios clínicos e radiológicos, que passam a ser confirmados em data posterior à ocorrência".

Por fim, o município esclarece que "por isso a Vigilância em Saúde trabalha com a avaliação e monitoramento de vários indicadores e não dados isolados, como por exemplo os casos notificados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (total e confirmadas), óbitos por data do início dos sintomas, além de acompanhar os números de internações e os números de atendimentos de síndrome gripal das unidades da rede".

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