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O famoso cafezinho, bebida marcante no dia a dia dos brasileiros, ganha ensaio fotográfico

Por ANA CARLA GOMES
Pelas ruas do Rio, a imagem é bem corriqueira: nem é preciso se sentar e, ali mesmo, em pé no balcão, alguém repete a cena eternizada por Noel Rosa, sambista do bairro de Vila Isabel, e o parceiro Vadico: "Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa/Uma boa média que não seja requentada/Um pão bem quente com manteiga à beça". A mistura de café com leite, acompanhada do famoso pãozinho, parece ser o despertar perfeito para muita gente.

No Centro da cidade, cafeterias com diferentes propostas não faltam. Por endereços tão conhecidos por quem está acostumado a ir e vir por ali, como Primeiro de Março, Quitanda, Do Carmo e tantas outras, vários espaços charmosos foram surgindo. Grãos selecionados e guiados pelo talento de baristas.

E como passar pela Gonçalves Dias e não dar uma olhada para aquele salão tradicional da Colombo, que, em instantes, nos transporta para o Rio Antigo? Do convencional ao moderno, a máquina importada já imprime com tinta de café e chocolate uma foto na espuma de leite do cappuccino. Uma opção bem personalizada na Barra.

Há cafés artesanais, que, ainda com a embalagem fechada, destilam todo o seu aroma. A preparação cuidadosa, carinhosa e de maneira tradicional, com direito a um coador de pano, pode completar o momento acolhedor. Para os mineiros, uai, um bolo de milho cai bem com o cafezinho. Ou um pão de queijo. São dessas terras, lá de Conselheiro Lafaiete, que me vem uma lembrança marcante do ritual de um amigo que já nos deixou: após o almoço, tinha que ter o cafezinho, seguido de um licor.

E no trabalho? Quantos colegas se unem para uma vaquinha, mantendo a tradição do cafezinho? E aqueles minutos ali, esperando a cafeteira sinalizar o tão esperado momento de que já é possível se servir, são aproveitados para um delicioso bate-papo.

Lembro também que, na primeira sede do jornal, eu e meu ex-chefe Carlos Silva costumávamos brincar que havia uma funcionária, a Meg, que trabalhava exaustivamente dentro da máquina de café expresso. É isso mesmo: nós mantivemos nosso lado criança. Em relação à Meg, não tivemos mais notícias dela, mas suspeitamos que tenha conseguido se aposentar antes da reforma da Previdência.

Momentos assim ficam impregnados e, às vezes, parecem saltar da memória como o aroma daquele café especial ainda embalado, capaz de aquecer não só os dias mais frios, mas também a alma.
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