Amanda relatou assédio em agência da Caixa Econômica em Bonsucesso - Reprodução / Redes Sociais
Amanda relatou assédio em agência da Caixa Econômica em BonsucessoReprodução / Redes Sociais
Por Luísa Bertola*
Rio - Uma jovem de 23 anos foi vítima de abuso por parte de um funcionário da Caixa Econômica Federal, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, na manhã da última quarta-feira. Amanda Couto procurou a agência 251, da Rua Cardoso de Morais, para resolver um problema com o FGTS. Ela relatou que precisou do atendimento presencial, e ao subir as escadas e ser atendida pelo funcionário, no guichê 22, o homem, que segundo ela era grisalho e tinha por volta de 45 a 50 anos, mexeu nas fotos do celular dela e invadiu sua privacidade.

Amanda relatou que ao chegar no guichê, afirmou que estava tendo problemas com o FGTS e que precisava de ajuda. O funcionário alegou que ela precisava ter o aplicativo da Caixa instalado no celular e após a jovem dizer que não tinha o aplicativo e que a internet dela não funcionava bem dentro da agência, ele insistiu que era necessário e afirmou que ela poderia usar o Wifi do local.

Ao entregar o celular na mão do funcionário, ele pegou e demorou para devolver o aparelho e ficou mexendo na galeria de imagens. Ela afirmou que estranhou e perguntou se ele já tinha colocado a senha, "que até então era a única coisa que ele deveria fazer". Amanda contou que ele apenas conectou a rede wifi e não baixou o aplicativo.

Ela disse que ficou prestando atenção ao que ele fazia e que já havia percebido que ele estava fazendo algo e tentou olhar no reflexo do óculos dele o que estava vendo na tela do celular, mas ele estava com a cabeça bem baixa e não foi possível enxergar.
Amanda ainda contou que precisou entregar o aparelho na mão do funcionário novamente e ele voltou a ver as fotos na galeria.
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"Peguei o telefone, baixei o aplicativo e conferi o que estava aberto nas abas e a galeria estava lá. Fechei todas as abas e abri o aplicativo do FGTS e dei na mão dele novamente. Ele demorou a me devolver e eu já havia percebido, levantei e perguntei se ele já tinha resolvido. Ele rapidamente saiu da galeria clicando no botão do meio que o levou pro menu", relatou a jovem.
Ela relatou que ficou muito nervosa com o ocorrido e mandou mensagem para o pai e para três amigos. Ela finalizou o atendimento e entrou em contato com a segurança da agência para solicitar as filmagens. Segundo ela, o segurança afirmou que as imagens só podem ser repassadas após um boletim de ocorrência. 
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Os três amigos da jovem a encontraram na porta da agência e procuraram a Polícia Militar. Segundo ela, havia uma viatura parada na porta de uma outra agência, na Praça das Nações, com dois policiais, que teriam afirmado que não poderiam sair do local. 
Ela ainda relatou que no caminho para a delegacia, ela e os amigos encontram um policial de Vias Expressas que disse que não poderia ajudar, mas a aconselhou a ir à delegacia.
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Denúncia

Segundo Amanda, ela foi a Polícia Civil com os três amigos, na 21ª DP (Bonsucesso) e um agente pediu para a jovem aguardar, que já receberia o atendimento. Ela afirmou que por conta do nervosismo e por ainda não ter comido nada, ela decidiu procurar por telefone a Central 180, de Atendimento à Mulher e ir embora para a casa.
Ao pedir um carro de aplicativo e entrar no carro, a primeira tentativa de ligação caiu enquanto ela realizava a denúncia. Em casa, ela ainda ligou mais oito vezes para a central. Segundo ela, nas sete vezes que ela ligou, ao se identificar e começar e relatar o resumo da denúncia, ela era transferida para outra central, encaminhada para a chamada de espera e a ligação era desligada.

"Elas se recusaram e me responderam com silêncio diante dessa situação", falou ela.
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A jovem relatou que não conseguiu registrar o caso por conta da ineficiência do sistema.
"Todo caso é um caso que precisa ser visto, ser punido. Quantas outras mulheres não podem ter passado por isso?", questionou ela. 
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Amanda afirmou que durante todo esse tempo ela ficou silenciada e ninguém prestou ajuda. Ela ainda contou que a primeira ajuda veio após relatar o ocorrido no Twitter. Um homem, que se identificou como repórter, passou o contato de uma pessoa que poderia ajudar no processo.

Amanda entrou em contato com a mulher, que é da Subsecretária de Estado de Políticas Para Mulheres. A então subsecretária prestou assistência a Amanda por volta das 23h30, ouviu a denúncia.

Ainda segundo a vítima, a subsecretária se mostrou chocada com o relato e e afirmou que um advogado será disponibilizado para o caso.

A jovem relatou que na última quinta-feira ela fez o boletim de ocorrência online na Polícia Civil e entrou em contato com a ouvidoria da Caixa. 
Procurada pelo DIA, a Caixa Econômica Federal informou que apura e atua em qualquer situação que descumpra os princípios e valores do banco, pautada pela ética e respeito a todos os seus clientes.

"O atendimento nas unidades da CAIXA tem como principais diretrizes o zelo, a presteza e a cordialidade aos clientes, sendo realizado de forma justa e equitativa. O banco disponibiliza canal seguro e específico para os clientes que se sintam vítimas de qualquer ato desrespeitoso. As denúncias podem ser feitas por meio do site", escreveram na nota.
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Segundo a Polícia Civil, a Central 180 não fica a cargo deles, mas o boletim de ocorrência foi registrado na 21ª DP. Ainda de acordo com a assessoria da Civil, o caso foi registrado, mas não é considerado crime.
A especializada afirmou ter orientado a jovem a entrar em contato direito com a Caixa, e registrou a ocorrência como "fato atípico". Por não se enquadrar como crime, não pode ser aberta uma investigação para o caso. 
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Em nota, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, responsável pela Central 180, afirmou que "as denúncias de violação de direitos humanos e violência contra a mulher vêm sendo registradas normalmente e encaminhadas às autoridades competentes". Ainda segundo eles, as centrais não estão imunes à ocorrência de problemas operacionais que possam afetar o atendimento, sejam eles de natureza interna ou até mesmo em razão de falhas no sistema de telefonia, por problemas de indisponibilidade temporária cuja origem pode advir da própria operadora do usuário
Confira a íntegra da nota:
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O Disque Direitos Humanos – Disque 100 e a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – canais de atendimento à população da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos – encontram-se regularmente ativos e em pleno funcionamento. As denúncias de violação de direitos humanos e violência contra a mulher vêm sendo registradas normalmente e encaminhadas às autoridades competentes. Destaca-se que muitas foram as melhorias nos serviços desde o início do ano passado, só no ano de 2019 a ONDH conseguiu reduzir em 6,5 vezes o tempo de espera para atendimento no Disque Direitos Humanos.

Infelizmente, as centrais não estão imunes à ocorrência de problemas operacionais pontuais que possam afetar o atendimento, sejam eles de natureza interna ou até mesmo em razão de falhas no sistema de telefonia, por problemas de indisponibilidade temporária cuja origem pode advir da própria operadora do usuário. No entanto, sempre que a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos é informada sobre essas falhas, são adotadas medidas de gestão a fim de minimizar eventuais prejuízos na prestação de serviço ao cidadão.

Em relação ao caso específico mencionado, por tratar-se de informação pessoal, é resguardado o sigilo dos dados relativos ao atendimento realizado. Nada obstante, informa-se que a situação relatada está sendo apurada e, caso comprovada a inconsistência assinalada, as medidas cabíveis serão adotadas.

De toda forma, informa-se que em 2 de setembro as nossas centrais receberam 11.146 ligações, das quais 9.419 (84,5%) foram atendidas em até 30 segundos e geraram 837 denúncias, 85 a mais que o dia anterior, demonstrando a regularidade dos canais de atendimento. Dessas ligações, 1.106 foram originadas de números telefônicos com DDD 21 e 929 (84%) foram atendidas em até 30 segundos, o que demonstra a regularidade do serviço, independentemente de ter havido algum problema operacional pontual.
*Estagiária sob supervisão de Cadu Bruno