A catarata não vai esperar o fim da pandemia

Oftalmologista fala sobre redução de cirurgias, consultas e alerta para eventuais riscos

Por Gabriel Sobreira

Problemas de visão
Problemas de visão -

Um estudo divulgado pelo Instituto da Catarata chama atenção para a ligação entre a pandemia e a queda de atendimentos de pacientes em tratamento e com necessidade de cirurgia. "Desde meados de março até final de junho, a redução foi de mais de 90%, de cirurgia e de consulta. Desde julho, o movimento mostrou uma reação bem aquém do esperado. O volume de consulta e cirurgia de catarata é algo em torno de 70% menor do que foi historicamente", explica o oftalmologista Lucas Safady, diretor do instituto.

Segundo ele, a orientação de ficar em casa e o medo de se contaminar no deslocamento ou na unidade de saúde são os principais motivos para essa ausência de pacientes. Safady vai além e conta que, por mais que a cirurgia de catarata seja um procedimento seletivo sem caráter de urgência, ele não pode ser adiado indefinidamente.

"A catarata é uma alteração progressiva. Quanto mais avançada estiver na ocasião da cirurgia, maior é o potencial de complicação que você tem no procedimento e mais incerto é o resultado", destaca ele.

O médico ressalta que não é o caso de esperar a pandemia passar, fazer a cirurgia e que tudo dará certo do mesmo jeito que antes. Muitos casos que no início do ano eram moderados, com o passar do tempo estão se tornando mais graves. E aqueles que já eram graves no início, agora são casos com potencial de complicação muito maior. "A progressão da catarata pode trazer desdobramentos prejudiciais, como inflamação, aumento da pressão intraocular, podendo adquirir caráter irreversível", alerta.

"O que precisa ficar de mensagem importante é que o paciente não pode deixar de ser avaliado", pontua.

Mutirão na cidade do Rio começará em outubro

A Prefeitura do Rio realizará em outubro um mutirão de cirurgias eletivas suspensas desde março. Só de catarata, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) calcula que cerca de cinco mil cirurgias deixaram de ser feitas devido à pandemia. Já foi lançado um chamamento — que está em fase final de análise na Procuradoria Geral do Município — na área de Oftalmologia. O objetivo é oferecer cerca de 500 mil procedimentos por ano para a população, atendendo, assim, a necessidade represada.

Segundo a prefeitura, a SMS já realizou mais de 53 mil cirurgias de catarata desde 2017, conseguindo, assim, reduzir de dois anos e meio para 18 meses o tempo de espera para esse tipo de operação. No mutirão que aconteceu de abril a dezembro de 2018, foram feitos mais de 22 mil procedimentos — superando a meta inicial de 15 mil, afirma a secretaria.

Paciente não vai faltar. Segundo Lucas Safady, acima dos 60 anos, metade dos pacientes tem catarata. Estima-se que no Brasil a prevalência seja em torno de 600 mil pacientes com catarata a cada ano.

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