Ronnie Lessa quando foi preso, no dia 12 março de 2019 - Arquivo O DIA
Ronnie Lessa quando foi preso, no dia 12 março de 2019Arquivo O DIA
Por O Dia
Rio - O Ministério Público do Estado (MPRJ) passou para o Ministério Público Federal (MPF) a atribuição para analisar o inquérito policial que indiciou o ex-policial militar Ronnie Lessa e sua filha, Mohana Lessa, pelo crime de tráfico internacional de armas.
De acordo com o MPRJ, o declínio se deveu ao fato de que o delito teve, em tese, início no exterior, com a infração estando prevista em tratado internacional incorporado pelo Brasil (Convenção Interamericana contra a fabricação e o tráfico ilícito de arma de fogo, munições, explosivos e outros materiais correlatos). O inquérito foi conduzido pela Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme).
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A investigação teve início após a apreensão de diversas peças de armas de fogo e munições de grosso calibre em um dos endereços ligados a Ronnie, no contexto das investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, conduzidas pelo MPRJ e pela Polícia Civil.

De acordo com o MPRJ, no curso das investigações sobre as mortes, o compartilhamento de dados telemáticos e documentação apreendida durante a operação “Lume”, identificou um complexo esquema de importação ilegal de peças, acessórios e outros componentes de armamentos de grosso calibre capitaneado por Ronnie.
Os  materiais eram adquiridos no exterior, alguns enviados por ele para a residência de Mohana, nos Estados Unidos, e, posteriormente, remetidos ao Brasil, ainda segundo o órgão. De acordo com as investigações, Ronnie adquiria os produtos em sites estrangeiros sem possuir autorização do Comando do Exército, autoridade competente para autorizar a importação ou exportação de armas, acessórios.

Tendo em vista que se trata de crime que se insere na competência da justiça federal, o MPRJ se manifestou no sentido de que o órgão não possui atribuição para oferecimento de eventual denúncia.
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Nesta quarta-feira, a Polícia Civil e o MPRJ fizeram novas buscas em endereços de um ex-vereador e de pessoas ligadas a Ronnie Lessa para esclarecer o assassinato de casal em 2014.