Leandro Vieira, carnavalesco da Mangueira, no sambódromo fechado: preocupação com trabalhadores - Gilvan de Souza
Leandro Vieira, carnavalesco da Mangueira, no sambódromo fechado: preocupação com trabalhadoresGilvan de Souza
Por Luana Dandara
Rio - Após a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) decidir, por unanimidade, cancelar os desfiles do Carnaval na Sapucaí de 2021, o carnavalesco Leandro Vieira faz o alerta: é essencial, também, pensar na geração de emprego e renda para os profissionais que dependem da festa. 
"Não sei se um desfile, não sei se um evento reduzido. Quem sabe, o adiantamento dos trabalhos do Carnaval de 2022. Quando penso que algo deve ser realizado, ainda em 2021, penso que a prioridade da realização é viabilizar aquilo que vai botar o alimento na mesa da costureira, do pintor e do carpinteiro”, destacou Vieira. "A decisão da Liga foi responsável. Não vejo o Rio como capaz de realizar nada dentro de normas de segurança antes da vacinação coletiva", completou. 
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Segundo Jorge Castanheira, presidente da Liesa, a expectativa é que o evento possa ser realizado em outra data. A definição da Liga foi dada na última quinta-feira. "Não decidimos por cancelamento, mas neste momento, para fevereiro, o desfile não tem como acontecer. Estamos junto com o poder público e nossos parceiros comerciais buscando alternativas. Seguimos aguardando a vacina”, explicou, em entrevista ao site 'Carnavalesco'. 
O presidente da Liga disse, ainda, que há a possibilidade de um projeto para o próximo ano, com um regulamento diferente: "Vamos tentar encontrar, nos próximos meses, alguma solução que aconteça em outra data, com respeito à saúde das pessoas, pensando em não atrapalhar o cronograma de 2022, também. O que vai acontecer para frente será em acordo com as autoridades sanitárias".
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Fernando Horta, presidente da Unidos da Tijuca, acredita que há chances de os desfiles na Passarela do Samba acontecerem em abril. "Tem muita gente que depende do Carnaval e não podemos deixar a festa passar em branco. O barracão está arrumado. Se a Liga planejar e a TV Globo auxiliar com verba, podemos começar a produzir no mês que vem. O espaço é amplo, dá para trabalhar com distanciamento e máscara".
Por meio de nota, a Riotur informou que a decisão da Liga "reflete a coerência dentro do cenário em que vivemos". "Daremos continuidade às conversas com a Liesa para buscarmos, juntos, alternativas e soluções para o planejamento de um Carnaval seguro". Procurada, a TV Globo não se manifestou.
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No Carnaval, os blocos vão atrás 
Em relação ao Carnaval de rua, a Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro (Sebastiana) elogiou a decisão da Liesa e informou que, caso os desfiles da Sapucaí sejam adiados para outra data de 2021, os blocos podem acompanhar.
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"A gente sabe que não vai ter Carnaval como se espera, nos moldes da festa em outra data. Provavelmente vai ser muito mais uma manifestação carnavalesca do que um Carnaval, propriamente dito", afirmou Rita Fernandes, presidente da Sebastiana.
"Só a partir do momento em que a população esteja vacinada e em condições de segurança de saúde será possível pensar nos desfiles. Antes disso, a gente não faz. A gente não tem como dar nenhuma data no momento. Vamos ter que acompanhar a evolução da vacina", reforçou ela.
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Na nota enviada pela Riotur, a empresa de turismo destacou que "segue avançando para um Carnaval cada vez mais integrado entre todos que atuam direta ou indiretamente na sua produção". Além disso, diz que alinha o evento com o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público.