Calçadas-ciladas no Rio de Janeiro - Kiko
Calçadas-ciladas no Rio de JaneiroKiko
Por Alex Machado
Olá a todas, todos, todes, todxs, [email protected]! Faltou alguém? É importante a participação geral, para discutirmos um tema que interessa a todo mundo: o direito de ir e vir. Estamos no meio de uma pandemia e ainda por cima às vésperas de uma eleição municipal. É mais do que hora de falarmos sobre nossa cidade.
Em quarentena, daqui da minha janela, no quarto andar de um prédio da Av. Nossa Senhora de Copacabana, vejo o mundo passar (e posso garantir: o mundo todo passa por aqui, diariamente).
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Pois muito bem! Você certamente já percebeu como é difícil andar pelas calçadas do Rio. Camelôs no meio do caminho? Até são muitos, mas deixe-os trabalhar! O buraco é, literalmente, mais embaixo. Tropeçar, escorregar, levar um tombo olímpico, se quebrar inteiro, tudo isso é parte da rotina de quem ousa subverter a ordem e anda a pé pela cidade. E se já é difícil para nós, bípedes, imagine para quem precisa sair por aí com ‘acessórios para as pernas’!
Outro dia vi a cena: uma moça empurrando, com sacrifício, um senhorzinho na cadeira de rodas. Lembrei logo de quando fazia isso para minha mãe, aqui mesmo em Copacabana. A gente, que anda com os próprios pés, não se dá conta de como esta cidade é cruel com quem não está no padrãozinho. Tente levar-se numa cadeira de rodas, sobretudo quando tem que escalar os desníveis (aquilo não são rampas) para descer ou subir o meio-fio. É desumano.
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A letra da lei é confusa para nós, mortais. Diz que os donos de imóveis são responsáveis pela conservação das calçadas em frente a seus endereços. À prefeitura, restaria apenas fiscalizar e multar, embora há quem diga ser dela a responsabilidade em caso de acidentes. E nessa balbúrdia (só para citar adequadamente o termo), ninguém assume a responsabilidade. Uma verdadeira cilada.
Em teoria, há como reclamar. Num rápido click, a jornalista Julia Noia me ajudou, e lá estava em meu e-mail a resposta da Subsecretaria de Conservação, elencando aquele ‘embaralhamento’ da lei, que na maior parte do tempo exime de responsabilidade o município, mas dá o canal 1746 (por telefone, internet ou app) como saída para denúncias.
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É seu direito reclamar e exigir todo tipo de reparo. Se vai conseguir, talvez seja papo para outra coluna. Mas fica aqui a dica: o vereador e o prefeito que você vai eleger têm o dever de se preocupar com os menores detalhes da cidade, para garantir a nossa tão almejada qualidade de vida. Sem desculpas nem mimimi. Mas... você lembra em quem votou na última eleição? Pois é, assim fica difícil de se ajudar, [email protected]