Pesquisa da Fiocruz vai testar a eficácia da BCG contra a Covid-19 em profissionais da saúde da ativa - Erasmo Salomão / Ministério da Saúde
Pesquisa da Fiocruz vai testar a eficácia da BCG contra a Covid-19 em profissionais da saúde da ativaErasmo Salomão / Ministério da Saúde
Por *Igor Santos
Rio - Os 70 mil testes de covid-19 estocados em um depósito em Niterói, que foram comprados pela Secretaria Estadual de Saúde, não são eficazes no reconhecimento do vírus, segundo avaliação da Fiocruz. O Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, apontou que os kits em que contém os testes apresentaram resultados “insatisfatórios”, desaprovando o seu uso.
A SES afirmou que diante do estudo da Fiocruz, estuda pedir o ressarcimento do valor pago pelos 70 mil kits, que custaram aos cofres públicos R$ 15,4 milhões.
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"Os lotes foram adquiridos da empresa TotalMed na gestão do ex-secretário de Saúde Edmar Santos e do ex-subsecretário executivo Gabriell Neves, que está preso acusado de corrupção na Saúde. Foram comprados com valor maior que o de mercado à época (em março). Os produtos foram pagos antes mesmo de serem recebidos, em processo que está sob auditoria da SES, em conjunto com os órgãos de controle. O primeiro produto a chegar não tinha sequer aprovação da Anvisa. Diante de todos os fatos expostos, a SES já estuda devolver o produto ao fornecedor e exigir o ressarcimento dos valores pagos aos cofres do Estado", disse a SES.
A TotalMed afirma que não havia conhecimento dos testes feitos pela Fiocruz com os kits vendidos por eles à Secretaria Estadual de Saúde e pedirão uma contraprova para que possam trocar ou não os produtos.
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"Em momento algum a TotalMed foi informada pela Secretaria Estadual de Saúde da realização dos testes, nem lhe foi permitido acompanhar para atestar as metodologias aplicadas. Tampouco foi oficialmente notificada pela SES sobre o resultado do Laudo. A empresa vai requerer que seja realizada nova análise (contraprova) e que profissional técnico de sua confiança possa acompanhar esses novos testes. Além disso, é preciso apurar se os problemas verificados não decorreram de armazenagem inadequada do material, apesar dos alertas feitos pela TotalMed. Vale ressaltar que o produto possui inúmeros registros perante a Anvisa e na Agência congênere Europeia. De toda forma, caso confirmado qualquer problema, a TotalMed, desde já, compromete-se a trocar todos os testes por novos", relatou a empresa.
O contrato entre a TotalMed e o Governo do Rio de Janeiro foi firmado em 31 de março deste ano pelo ex-secretário de Saúde Edmar Santos e do ex-subsecretário executivo Gabriell Neves. 50 mil kits com os testes de Covid-19, válidos até março de 2021, foram comprados por um valor de R$ 9 milhões e estocados.
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Depois da primeira entrega, a TotalMed enviou uma nova remessa com mais 20 mil kits, por R$ 6,4 milhões, totalizando 70 mil produtos e R$ 15,4 milhões gastos. A Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro informou que os testes recebidos não eram da marca acordada no contrato. Na última semana, o atual secretário de saúde Carlos Alberto Chaves disse não ter conhecimento sobre o caso e solicitou o estudo à Fiocruz.

*Estagiário sob supervisão de Thiago Antunes