Programa de Crivella mostrou cena em que dançam abraçados - reprodução TV
Programa de Crivella mostrou cena em que dançam abraçadosreprodução TV
Por MARLOS MENDES
Publicado 13/10/2020 21:51 | Atualizado há 3 dias
Rio - Os candidatos Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos), que lideram as pesquisas de intenção de voto para prefeito no Rio de Janeiro, abordaram a pandemia do coronavírus e a crise na saúde em seus programas do horário eleitoral gratuito da noite desta terça-feira. Crivela atrelou sua imagem ao presidente Jair Bolsonaro usando falas e imagens do presidente, e Paes responsabilizou o atual prefeito pelos problemas na saúde pública da cidade.

O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) abordou a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus e lamentou a perda de empregos e de vidas. Paes questionou a taxa de mortalidade pela Covid-19 no Rio, com quase o mesmo número de vítimas que São Paulo, apesar de ter metade da população do estado vizinho. Paes afirmou que o problema da saúde no Rio foi "uma tragédia anunciada" porque "Crivella abandonou a saúde desde o primeiro dia". Segundo Paes, as clínicas da família "pararam de funcionar", e os hospitais estão sem médicos e medicamentos e "1 milhão e 300 mil pessoas perderam acesso mais básico à saúde". Paes afirmou que o carioca lembra que a saúde na cidade melhorou durante sua gestão e disse conhecer bem os problemas e o funcionamento da Prefeitura, afirmando que a cidade precisa de "gestão, trabalho e amor ao Rio".

Candidato à reeleição, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) dedicou seu horário eleitoral para atrelar seu nome ao do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e falar ao eleitor evangélico. O programa exibiu falas do presidente Bolsonaro, vídeos e fotos em que o presidente e o prefeito Crivella aparecem juntos, apertando as mãos, e até um vídeo em que dançam abraçados. "Algumas coincidências me ligam ao prefeito Marcelo Crivella", diz o presidente em um registro de vídeo. O programa teve clima de vídeo clipe gospel, exibindo Crivella visitando hospitais, recebendo respiradores, visitando tomógrafos ao som de um hino que fala "Aleluia porque a guerra continua. Vá em frente, no final a gente vence". Crivela lembrou o episódio da facada sofrida por Bolsonaro e a solidariedade que prestou a ele. Em outro trecho, Bolsonaro diz: "Vamos caprichar para escolher prefeito e vereador, alguém que tenha deus no coração e queira o melhor para o próximo". No trecho final do programa, fotos de Crivella e Bolsonaro aparecem lado a lado com uma bandeira do Brasil ao fundo e a voz de Bolsonaro afirmando seu lema de campanha: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

O candidato Paulo Messina (MDB) também abordou a saúde pública e afirmou que o modelo de administração das Organizações Sociais, que atribuiu às administrações Eduardo Paes e Marcelo Crivella, coloca os hospitais na mão dos empresários. Segundo Messina, a solução é acabar com essa forma de contrato e colocar gerentes e fiscais sob controle da Prefeitura. E disse que pode fazer isso porque "não tem rabo preso".

O programa da candidata da PT, Benedita da Silva abordou a política de segurança pública e seus planos de revitalização da Avenida Brasil. Benedita afirmou que pretende "trocar a truculência pela inteligência", como fez quando foi governadora. Benedita disse que vai investir na Avenida Brasil para levar desenvolvimento às zonas Norte e Oeste, estimulando os pequenos comércios, revitalizando edificações e construindo moradias populares, buscando atrair negócios e gerar empregos. "Investir nas pessoas vai fazer a Avenida Brasil renascer e a cidade vai renascer junto".

O espaço da candidadata Martha Rocha (PDT) foi ocupado pelo candidato a vice da chapa, Anderson Quack. Enfatizando a noção de "coragem", Quack afirmou que a coragem na experiência dele está ligada à própria sobrevivência. O vice de Martha Rocha disse que é preciso coragem para conseguir colocar os filhos na universidade, coragem para sobreviver em um leito de hospital em que falta o básico de atendimento. Quack afirmou que pretende usar a coragem para levar qualidade de vida aos mais carentes.

O candidato Luiz Lima (PSL) enfatizou o tema corrupção em seu horário eleitoral e, exibindo uma vídeo que publicou na internet, afirmou ter sido o primeiro deputado federal a denunciar o governador Wilson Witzel e os desvios na secretaria estual de Saúde na compra de equipamentos e construção de hospitais de campanha. Ele prometeu contratar 400 novas equipes para o programa saúde da família, fazer "funcionar plenamente" os hospitais Albert Schweitzer, Rocha Faria e Pedro II, além de implementar o terceiro turno para cirurgias. "Sem roubalheira dá pra fazer a saúde funcionar direito", afirmou.

O candidato Fred Luz (Novo) usou seu horário eleitoral para afirmar que muitos lucraram com Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e Panamericanos no Rio de Janeiro embora pouco tenha ficado para os cariocas e convidou a eleitor a conhecê-lo melhor, afirmando que não usa dinheiro do contribuinte em para fazer campanha política.

A candidata do Psol, Renata Souza, usou seu espaço para lembrar que nasceu e cresceu na Favela da Maré e que é candidata porque "viveu na pele os problemas que a cidade enfrenta". O candidato no partido na eleição passada, Marcelo Freixo aparece em seguida que sua candidata é Renata Souza.

A candidata Clarissa Garotinho (Pros) repetiu o programa eleitoral em que afirma que loucura não é ela ser candidata. "Loucura é continuar votando no que está aí e acreditar que o resultado vai ser diferente. Vamos colocar pra funcionar o que não está funcionando"

A candidata do PSC Glória Heloíza também repetiu seu programa eleitoral para se apresentar. O vídeo mostra a candidata andando por uma comunidade e afirma "Glória chegou para fazer o bem".