PM é investigado na corporação por danificar veículo de testemunha durante o serviço - Reprodução/ O DIA
PM é investigado na corporação por danificar veículo de testemunha durante o serviçoReprodução/ O DIA
Por Beatriz Perez
Rio - Um policial militar de Teresópolis está sendo investigado pela corporação por ter usado uma viatura para intimidar, durante o expediente, uma testemunha que depôs contra ele em um processo de violência doméstica. Wesley Maia Citti foi filmado perto do carro da vítima, que teve o retrovisor quebrado por volta das 7h da manhã do domingo do dia 4 de outubro de 2020. O veículo também foi rabiscado com xingamentos.
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A vítima, que terá a identidade preservada, testemunhou o momento em que Wesley abordou a ex-namorada com um outro rapaz em um carro no bairro de São Pedro, em Teresópolis, depois que os dois deixavam uma lanchonete. O casal foi agredido pelo policial militar. O acompanhante da jovem sofreu golpes de soco, por parte do policial. Já a ex-namorada foi retirada do carro pelo militar. A testemunha diz que viu o PM puxando seus cabelos e batendo com a cabeça da vítima no carro. Mas Wesley nega a acusação e diz que não realizou as agressões. Ele admite, no entanto, que a retirou do carro pelos ombros e a empurrou.
À época do crime, em novembro de 2018, a testemunha da violência doméstica interveio para que o militar parasse a agressão e acionou a polícia.
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No último dia 4, a testemunha se deu conta de que seu retrovisor estava danificado e o carro estava com as inscrições 'viado' e 'fdp'. Um circuito de câmeras de segurança que havia sido instalado na véspera, registrou imagens da viatura e de um policial militar perto do carro.
Nas imagens é possível ver que uma viatura chega próximo ao carro da vítima às 7h04 da manhã, às 7h15 um PM sai de trás de carro e o retrovisor não está mais na posição.

A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que o comando do 30º BPM (Teresópolis), abriu um Inquérito Policial Militar – que está em andamento -, para verificar as circunstâncias do fato. A PM destaca que Wesley foi afastado dos serviços nas ruas e está desempenhando funções administrativas na Unidade, até que o IPM seja concluído.
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Um procedimento sobre o caso foi recebido pela 1ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria Militar no dia 9 de outubro e seguirá para apreciação do promotor de Justiça.

Wesley foi absolvido na Justiça pela denúncia de violência doméstica. Em sua decisão, a juíza entendeu que não havia provas suficientes para condená-lo pelas agressões. "Insta esclarecer que uma condenação não se pode basear apenas em indícios ou presunções, vez que o conjunto probatório carreado aos autos é insuficiente para comprovar a prática do delito imputado ao ora acusado", escreveu a magistrada Marcela Assad Caram Januthe Tavares.
A defesa de Wesley não se manifestou sobre o caso e disse que não tomou ciência do inquérito policial ao qual o militar responde. A reportagem não conseguiu contato com o policial.