João Pedro Matos Pinto tinha 14 anos - Arquivo Pessoal
João Pedro Matos Pinto tinha 14 anosArquivo Pessoal
Por Julia Noia*
Rio - "É horrível ter que voltar aqui. Ficamos revivendo sempre tudo que aconteceu e, se é difícil para mim, que cheguei depois, imagina para as crianças. Estamos confiando em deus e torcendo para que tenhamos justiça". Essa foram as palavras de Denize Roza, tia de João Pedro e dona da casa em que ele foi assassinado. Desde as 10h da manhã, a Polícia Civil realiza a reconstrução simulada da morte do menino, atingido em suposto confronto policial no dia 18 de maio, em São Gonçalo. Até o momento, três das cinco crianças presentes no momento dos disparos já colaboraram com a perícia.
A família de João Pedro foi ao local para a reprodução, acompanhada pela Defensoria Pública. Segundo a tia, os defensores relataram que as crianças estão apresentando à Polícia Civil o que viram no momento dos disparos, e estão lembrando de mais detalhes por voltarem ao local do crime. Para eles, entretanto, a dor de voltar ao lugar ainda é muito grande. 
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"As crianças estão bem nervosas e muito apreensivas, não conseguiram dormir direito. A minha irmã, mãe do João, já passou mal e não conseguiu vir", relata. Denize lamenta que tenha demorado mais de cinco meses para que a perícia realizasse a reconstrução simulada, afirmando ser muito complicado esperar tanto para que a justiça seja feita. 
Daniel Mattos, primo de João Pedro, afirmou que jovens realizaram protesto na porta da cada, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, pedindo justiça por João Pedro. Ele acredita que o caso tenha uma resolução mais rápida que o esperado por conta da repercussão na mídia, e questiona a demora para a realizar a simulação.
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Para ele, o caso não foi feito com tanta celeridade porque tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Federal, presentes na operação no Complexo do Salgueiro no dia 18 de maio, dia da morte de João Pedro, tentaram encontrar provas que comprovassem que os tiros não vieram da força policial, e sim de traficantes, como alegaram. "Até hoje, não acharam o celular do Natan e do João Pedro. Tentaram achar uma prova para tentar nos incriminar, mas não acharam provas porque eles realmente eram inocentes. Agora, viram que teriam que fazer a reconstrução", acusa Daniel.
Reconstrução cinco meses depois 
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A reconstrução da Polícia Civil ocorre mais de cinco meses depois da operação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) com a Polícia Federal no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no dia 18 de maio. O jovem de 14 anos foi baleado enquanto estava brincando com os primos dentro do quintal da casa da tia Denize Rosa, e o menino foi levado no helicóptero da corporação para o Hospital da Lagoa, na Zona Sul do Rio, mas chegou sem vida.
Na ocasião, a Polícia Civil informou que a operação visava cumprir dois mandados de busca e apreensão contra lideranças de uma facção criminosa e que, durante a ação, seguranças dos traficantes tentaram fugir pulando o muro de uma casa. "Eles dispararam contra os policiais e arremessaram granadas na direção dos agentes. No local foram apreendidas granadas e uma pistola. O jovem foi ferido e socorrido de helicóptero. Médicos do Corpo de Bombeiros prestaram atendimento, mas ele não resistiu aos ferimentos", afirmou a instituição na época por meio de nota. A Polícia Federal deu a mesma versão.
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*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes