Família de Carlos Alberto Carvalho, 60 anos, afirma que ele testou positivo duas vezes para covid-19Acervo Pessoal
Por Gabriel Sobreira
Publicado 22/10/2020 18:40 | Atualizado 22/10/2020 18:49
Rio - A Secretaria de Estado de Saúde (SES) investiga uma possível reinfecção por covid-19 em Nilópolis, na Baixada Fluminense. É o caso de Carlos Alberto Carvalho, de 60 anos. De acordo com a filha dele, o funcionário público testou positivo para covid-19 duas vezes, uma em maio e outra em setembro. Ambos os testes eram tipo PCR.
Procurada, a SES diz que foi notificada nesta quarta-feira pela Vigilância Epidemiológica Municipal de Nilópolis e que aguarda informações desta para encaminhar os dados para análise do Ministério da Saúde, que ficará responsável pela análise do caso. “Apenas após a análise destas informações o caso será caracterizado como suspeito. Há apenas um caso suspeito de reinfecção por coronavírus no estado do Rio de Janeiro. A paciente é uma mulher de 39 anos, moradora de Volta Redonda, e trabalha na capital e em Angra dos Reis. Ela teria se infectado em maio e agosto. Municípios, SES e Ministério da Saúde investigam o caso”, afirma a SES, em nota.
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"Foi a pior sensação do mundo. Você querer respirar e não conseguir, ainda mais quando está dentro do CTI, sem ter contato nenhum com a minha família, com os meus netos. Vê-los somente uma vez ao dia por vídeo. Não desejo isso a ninguém, hoje estou aqui pra contar a minha história, infelizmente perdi muitos amigos para essa doença", afirma o agente administrativo Carlos Alberto Carvalho, de 60 anos. "Gente, se cuida porque mesmo eu me cuidando, usando máscara, álcool, eu quase fui", completa ele.
A advogada Cristiana Carvalho, filha de Carlos Alberto, revela como tudo começou. “A minha mãe tem um comércio em Mesquita. No final de maio, ela começou a ter um pouco de febre e muita dor de cabeça. Fez o exame e no dia seguinte testou positivo. Meu irmão e eu demos negativo, mas o meu pai acusou positivo, apesar dele não apresentar sintomas”, lembra ela, cujo teste da família foi feito em Nova Iguaçu. “Mesmo depois do meu pai pegar a doença, ele continuou se cuidando. Alguns comentários estão falando que ele não se cuidou e por isso pegou de novo. Isso não é verdade”, frisa ela.
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Em setembro, segundo Cristiana, Carlos Alberto começou a apresentar febre e diarreia e foi levado para o Hospital Pronil, em Nilópolis, mas foi liberado.
“No dia 23, o meu pai apresentava um cansaço fora do normal, falava e tossia. Não conseguia uma conversa de um minuto sem tossir e sem cansar. Voltamos para o Pronil. Na triagem, o enfermeiro o enviou para sala azul porque era suspeita de covid”, afirma Cristiana.
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Segundo ela, na tomografia foi constatada a covid-19. O pulmão estava 75% comprometido. O pai da advogada foi encaminhado direto para o CTI. “Não precisou ser entubado, usou cateter de oxigênio e ficou 13 dias no CTI, três dias no quarto e no dia 8 de outubro teve alta”, recorda-se ela. “A gente achou impossível ter pego de novo. Aí lemos casos de fora do Brasil de pessoas se reinfectando”, explica.
Cristiana conta que ver um familiar passar por uma situação de contaminação por covid-19 algo que não deseja nem para um inimigo. “Ver meu pai pelo vídeo, só falando com ele uma vez por dia. Isso quando ele conseguia falar. É uma coisa muito triste. Ver também minha mãe chorando à noite, meu filho mais velho com crise de ansiedade à noite por estar longe do avô. Que saia logo essa vacina. As pessoas estão morrendo. Todo dia que as médicas ligavam, já diziam: ‘Mantenha o pé no chão porque o caso do seu pai é muito grave’”, lembra a advogada. 
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Especialista pede para que cuidado seja mantido
Para Tânia Vergara, presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro, o momento ainda é de muita atenção. “Já há casos publicados comprovando reinfecção. A recomendação para a população é que mantenha as mesmas medidas de proteção individual, mesmo que já tenham tido covid”, alerta ela.
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“Para comprovar reinfecção é preciso ter a amostra que deu positiva por PCR na primeira vez que o paciente teve sintomas e a amostra da segunda vez. Aí precisa fazer a análise filogenética das duas para saber se é o mesmo vírus ou se são vírus diferentes”, completa a especialista.