Hospital Federal do Andaraí: médicos denunciam sucateamento da unidade - WhatsApp do DIA (98762-8248)
Hospital Federal do Andaraí: médicos denunciam sucateamento da unidadeWhatsApp do DIA (98762-8248)
Por Bernardo Costa
O Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) informou, no início da tarde desta sexta-feira, que ingressou com medida jurídica para apurar o afastamento de cinco chefes de setores do Hospital Federal do Andaraí (HFA), um médico e um profissional técnico da unidade: todos servidores efetivos com mais de 35 anos de atuação no hospital. Eles foram removidos para outras hospitais ex-officio, sem possibilidade de recurso, na última quarta-feira, por determinação da Superintendência do Ministério da Saúde no Rio, conforme o DIA Online noticiou com exclusividade, nesta quinta-feira.

A Superintendência do Ministério da Saúde no Rio alega que a transferência é resultado de um "plano de ação para reestruturação e qualificação da assistência da rede federal". Os profissionais removidos contestam a informação, e afirmam que as transferências são uma retaliação aos constantes ofícios encaminhados por esses profissionais à direção do hospital, ao Cremerj e à Superintendência do Ministério da Saúde no Rio cobrando melhorias no atendimento à população, com contratação de profissionais e envio de medicamentos e insumos. 
LISTA DO PROFISSIONAIS REMOVIDOS

Os profissionais removidos do Hospital Federal do Andaraí são:

Roberto Portes – chefe do Serviço de Queimados e presidente do Corpo Clínico do hospital.

Sidney Franklin de Sá – anestesiologista e ex-membro da Diretoria Executiva do Corpo Clínico.

Glória Maria de Oliveira – chefe do Serviço de Clínica Médica.

Giovanni Antonio Marsico – chefe do Serviço de Cirurgia de Tórax.

Silvino Frazão de Matos – chefe do Serviço de Oncologia.

Waldyr Gomes da Costa Neto - médico cirurgião geral e chefe da Emergência

Rosane de Jesus Barreto de Moura - técnica de laboratório.

PROFISSIONAIS APONTAM INCOERÊNCIA EM REMOÇÃO

Chefe do Serviço de Cirurgia Tóracica do Hospital do Andaraí, o médico Giovanni Antonio Marsico, com 45 anos de atuação no Hospital Federal do Andaraí, chama atenção para o fato de ter transferido para o Hospital Federal Cardoso Fontes, onde não há o serviço no qual é especialista:

"Querem nos calar. Nem no tempo da ditadura militar assistimos a esse tipo de desmandos", afirma o médico.

Outro caso que, segundo os profissionais não tem qualquer explicação técnica, se refere à remoção do chefe de serviço do Setor de Oncologia do HFA, doutor Silvino Frazão de Matos, que atua na unidade desde 1972.

"No meu serviço, há déficit, agravado pelo pedido de aposentadoria de um médico e outros quatro em vistas de se aposentar. Já no Hospital Federal dos Servidores, para onde estou sendo removido, há oito médicos e não há carência por lá. No Andaraí, sim. Com as aposentadorias e minha remoção, o setor corre risco de acabar", disse o profissional.

NOTA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Questionado, o Ministério da Saúde enviou a seguinte nota ao DIA:

"O Ministério da Saúde, em conjunto com a Superintendência Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (SEMS RJ), vem desenvolvendo um plano de ação para reestruturação e qualificação da assistência da rede federal. O objetivo é otimizar os serviços e promover a melhoria do atendimento.

Como parte desse processo, alguns serviços e funcionários - estatutários, contratados temporários da União e terceirizados - serão deslocados para outras unidades da rede federal para prestar uma melhor assistência à população.

Cabe ressaltar que a pasta realizou um novo concurso para contratação temporária de profissionais de saúde para os Hospitais e Institutos Federais do Rio de Janeiro, realizado com plena transparência e lisura. Além de oxigenar a Rede Federal com mudanças pontuais de recursos humanos, a fim de proporcionar a multiplicação de conhecimentos, particularmente dos profissionais mais experiente. É importante destacar que o atendimento à população não será prejudicado."