Casas de festa na Barra da Tijuca promoviam aglomeração na noite deste domingo - Divulgação
Casas de festa na Barra da Tijuca promoviam aglomeração na noite deste domingoDivulgação
Por O Dia
Rio - O número de contaminados pelo novo coronavírus aumentou pelo sexto dia seguido no Rio. Festa com aglomerações e a ausência da máscara chamam atenção, mesmo que o público jovem tenha sintomas mais leves, o infectologista Marcos Junqueira do Lago, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, alertou que esse público pode ter potencial para propagar o vírus.

"Em média, a doença nos jovens é menos grave, é menos sintomática. Não que não possa, inclusive, levar à morte. Mas, na média, é menos. Então, além do impulso da juventude, eles se sentem mais seguros. Daí para frente, eles viram disseminadores do vírus. Eles saem dessas festas contaminados, às vezes com poucos sintomas, e contaminam os pais, que por sua vez vão contaminar os avós e por aí em diante ", disse em entrevista ao "Bom Dia Rio".

O médico destacou que o Rio está apenas atrás do Distrito Federal no número de mortes e que a volta no crescimento está ligada ao comportamento como vistos durante o final de semana, além de alertar que se não houver uma mudança, será esperado um aumento no número de casos.

"Quando você enxerga o número de mortes, você enxerga uma realidade. O número de casos é um pouco mais difícil porque você pode estar subnotificando, enfim, não estar testado. Mas as mortes, não", afirmou.

A taxa de ocupação dos leitos têm ligado o alerta. A procura por parte dos pacientes com sintomas de Covid-19 e o fechamento de hospitais de campanha estão afetam diretamente o número de leitos, que ultrapassaram 95% da taxa na semana passada.

Para Lago, uma mobilização pode ser um caminho menos complexo, uma vez que já houve um aprendizado desde o início da pandemia. "O leito de Covid é um leito complexo, não é só o respirador. Precisa de EPI, precisa de medicamento, ele custa. Então, hoje, nós temos organização e nós temos expertise. A gente sabe tratar bem melhor do que antes. Agora, a gente desmobilizou precocemente, não deveria ter demobilizado tanto, em agosto, setembro, outubro. Não tinha o menor sentido desmobilizar naquela época. Remobilizar agora é, teoricamente, mais fácil porque a gente sabe o caminho", explicou.

Ele também falou que a atuação do governo deve passar por campanhas de conscientização e medidas de controle, além de planejamento dos leitos disponíveis. "Uma ação, volto a insistir, do governo que apoie essa mobilização. E faça uma ação conjunta, porque a gente não pode colocar um paciente potencialmente grave. Tem que ter antibiótico, tem que ter anestésico, tem que ter roupa de proteção. Sem isso, não tem como fazer", disse.

Lago fez um apelo a população enquanto ainda não há uma vacina contra o coronavírus. "É o último esforço. Provavelmente, daqui a três meses, quatro meses, a gente vai ter uma vacina sendo aplicada em larga escala. A gente pode poupar muitas vidas nesse período. Então vale a pena esse esforço, e o governo tem que entrar nessa briga, não pode ficar sozinho", pediu.