Casas de festa na Barra da Tijuca promoviam aglomeração na noite deste domingo - Divulgação
Casas de festa na Barra da Tijuca promoviam aglomeração na noite deste domingoDivulgação
Por O Dia
Rio - O infectologista Roberto Medronho, da Universidade Federal Do Rio (UFRJ), defendeu a suspensão dos eventos que não respeitem as regras para conter avanço da pandemia do novo coronavírus. Medronho destacou como os jovens têm potencial para espalhar o vírus, podendo afetar quem é do grupo de risco.

"Os jovens em festas, balada, luau na beira da praia, eles se infectam e levam essa infecção para o seu lar. Normalmente, os nosso lares são multigeracionais. Ele infecta pai, mãe, tio, tia, avô, avó, que evoluem para a forma grave e internam. Então, é fundamental que, neste momento, eu pessoalmente sugeriria que todos esses eventos sejam absolutamente suspensos para evitar essas aglomerações", afirmou em entrevista ao "Bom Dia Rio".

Conforme a média móvel dos casos e mortes tem aumentado no Rio, o governo estadual e municipal anunciaram a abertura de 214 leitos para pacientes com coronavírus. O médico apontou que a abertura de novas vagas é fundamental e destacou a necessidade de suporte. "O grande problema é que o contrato das pessoas que estão lá finda no dia 31 de dezembro. Vão abrir tantos leitos e, para isso, eu vou contratar tantos profissionais, vou comprar tantos equipamentos. Então, esse plano é fundamental. Ele dá um certo refresco agora. Do jeito que estão crescendo os casos, se você olhar a evolução das solicitações na central de regulação, a gente tá aumentando muito. Então, 90% de ocupação de leito em UTI é quase a mesma coisa que dizer não há leitos de UTI porque nunca temos 100%. Porque é sempre uma entrada e saída o tempo inteiro, e aí nunca chega a 100%, 90% é um índice altíssimo", disse.

Nesta segunda-feira, o rio registrou aumento no número de mortes pelo sétimo dia seguido, foram 727 óbitos. "Em relação aos mais de 700 (mortos), é quase três aviões por semana no estado do Rio. E a gente parece que tem uma fila de todo mundo aglomerado sem máscara para viajar no próximo avião", explicou. "Passamos por uma grande turbulência na travessia do oceano, conseguimos, estamos chegando na praia. Morreremos na praia?", completou.

Por fim, Medronho explicou que existe uma complexidade na distribuição de vacinas para uma grande parte da população. "Ela (vacina) precisa ser produzida, ser envasada, precisa ser distribuída, precisa de agulha, de seringa. Hoje, não temos como produzir milhões de agulhas e seringas tão rapidamente. Então, é uma logística muito grande. A Anvisa aprovou hoje a vacina, então eu vou sair no dia seguinte e tomar a vacina. Não. Terá um tempo natural porque tem uma logística complexa, ainda mais num país como o nosso, para que a pessoa seja vacinada", disse.