Da esquerda para direita: Maurício Peres (Rocinha), Carolina Marinho (Alemão), Ezemar Adad (Vila Aliança), Laura Campos Braz (Caju) e Daniel Delmiro (Vidigal) - Arquivo Pessoal
Da esquerda para direita: Maurício Peres (Rocinha), Carolina Marinho (Alemão), Ezemar Adad (Vila Aliança), Laura Campos Braz (Caju) e Daniel Delmiro (Vidigal)Arquivo Pessoal
Por RAI AQUINO
Rio - Ao iniciar a campanha para as eleições deste ano, o então candidato à Prefeitura do Rio Eduardo Paes (DEM) esteve no Morro do Adeus, no Complexo do Alemão, na Zona Norte, para lançar uma "carta-compromisso com as favelas cariocas". No documento, Paes listou oito compromissos, além de diversas melhorias que seriam resultados dessas ações.
Agora eleito, o futuro prefeito já é cobrado por lideranças de diversas comunidades para olhar para as áreas mais carentes da cidade. O MEIA HORA ouviu cinco delas, que têm sugestões de sobra sobre o que Paes pode fazer imediatamente nas comunidades. 
Publicidade
Mobilizador do projeto Brigadas Populares, na Rocinha, na Zona Sul, Maurício Peres, de 28 anos, espera que o prefeito eleito faça uma boa gestão, especialmente para as populações das favelas. Ele, no entanto, faz algumas ressalvas.
"A gente vê com esperança (a eleição de Paes), mas também também com uma certa preocupação. Ele é uma pessoa que infelizmente tem um histórico difícil com as comunidades. A gente acompanhou muito nas outras gestões dele, a questão das remoções. Muitas famílias foram removidas de suas casas por causa das obras que foram feitas", destaca o ativista.
Publicidade
Maurício diz que dos vários problemas que a Rocinha enfrenta dois são cruciais: a falta d'água em diversas localidades e as enchentes. Em fevereiro do ano passado, um temporal na cidade provocou vários deslizamentos na comunidade, levando uma pessoa à morte.
Publicidade
"A gente vê no governo atual um descaso total nesse ponto e a Rocinha sofreu muito com isso. O governo Crivella não investiu nada no combate às enchentes, em ações de prevenção, de apoio, em soluções, inclusive para moradores que de área de risco", critica.
ALEMÃO
Publicidade
Administradora de uma creche comunitária no Complexo do Alemão, Carolina Marinho, 33, viu com bons olhos a criação da Secretaria Municipal da Juventude, anunciada por Paes no início da semana. A pasta será ocupada pelo jovem Salvino de Oliveira, 22, cria da Cidade de Deus, na Zona Oeste.
"Achei positiva a escolha do Salvino, porque as pessoas das periferias têm demandas especificas. Você tendo um órgão responsável por responder por aquela região, a gente vai conseguir pleitear algumas políticas públicas. A gente está num contexto que 'está dentro' e no mesmo momento 'está fora' da cidade. A gente oscila nessa posição", assinala.
Publicidade
Para a mobilizadora, Paes deveria desenvolver uma política pública para a questão da água no conjunto de favelas da Zona Norte. Além disso, ela defende que o futuro prefeito aumente o número de agentes de saúde na região. 
"Deveria urgentemente se pensar na regulamentação da água. A gente tem crianças da favela que há duas semanas não têm água dentro de casa. Nesse contexto de pandemia, isso é um direito básico e que dá dignidade à vida humana", aponta. 
Publicidade
VILA ALIANÇA
Fundador e coordenador de um pré-vestibular comunitário na Vila Aliança, Ezemar Adad, 53, pensa na educação quando imagina o que Paes deve fazer de mais prioritário na comunidade da Zona Oeste. Professor da rede estadual de educação, ele clama por apoio ao ensino básico na região.
Publicidade
"Tem que investir na educação e na cultura, porque aqui tem uma juventude muito potente e talentosa. Ele teria que entrar com algumas oficinas de cultura, que foi muito falado na época das UPPs, que entrou com segurança, mas não entrou com o social", enfatiza.
O educador também destaca as condições físicas das escolas da Vila Aliança. Ele afirma que muitas delas estão se deteriorando.
Publicidade
"Ainda tem a questão do quadro negro. Os adolescentes hoje estão com celular na mão. Se cada escola tivesse um quadro digital, a nossa aula iria melhorar enormemente. Os alunos estão conectados e nós ainda estamos da mesma forma que séculos atrás", observa.
CAJU
Publicidade
Educadora e idealizadora de um projeto de artes no Complexo do CajuLaura Campos Braz, 31, vê que o conjunto de favelas do Centro está isolado da cidade quando o assunto é transporte. Ela acredita que Paes deveria investir em opções de deslocamento para os moradores.
"O Caju precisa ser reconhecido como uma região da Zona Portuária. Quando foram feitas as obras para as Olimpíadas na região, as favelas foram deixadas de lado", lamenta. "A falta de acesso ao bairro é muito ruim para os moradores e também para quem é de fora".
Publicidade
A ativista também pede mais ações culturais na região. Ela diz que o projeto que desenvolve é o único do tipo para os moradores do Caju.
"É preciso criar políticas públicas que olhem pelo Caju, principalmente para que a cultura seja fomentada na região", defende.
Publicidade
VIDIGAL
Nascido e criado no Morro do Vidigal, na Zona Sul, o líder comunitário Daniel Delmiro, 40, entende que Paes terá um desafio imenso, por ter herdado uma cidade "quebrada".
Publicidade
"Sei que ele vai pegar uma cidade com muita dívida e não será de uma hora para outra que tudo será resolvido. Mas a gente vê políticas sendo feitas há anos sem conseguir avançar", lamenta.
O ativista acredita que Paes deva priorizar o investimento em saúde no Vidigal. A comunidade conta com um posto de saúde para os mais de 12 mil moradores.
Publicidade
"Aqui você tem uma população carente, precisando de um trabalho e de ter o seu ganha-pão, e, para isso, a pessoa precisa ter saúde. Se você tiver saúde, você consegue ir para qualquer lugar", acredita. "Nosso posto de saúde é muito pequeno e faz o possível para atender uma demanda grande, com apenas um ou dois médicos".