Marielle Franco e seu motorista, Anderson, foram assassinados em 2018 - Câmara Municipal do Rio de Janeiro
Marielle Franco e seu motorista, Anderson, foram assassinados em 2018Câmara Municipal do Rio de Janeiro
Por O Dia
Rio - No mesmo dia em que o calendário brasileiro celebra a Justiça - 8 de dezembro -, completam-se nesta terça-feira exatos 1000 dias do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. A Anistia Internacional e o Instituto Marielle Franco farão, nesta terça, o protesto 'Despertador da Justiça'. O ato, na Cinelândia e nas redes sociais, tem objetivo de romper o silêncio das autoridades sobre quem mandou matar Marielle e o motivo do crime.

Às 8h da manhã do dia 8 de dezembro, 550 relógios terão seus alarmes disparados simultaneamente, bem em frente à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, na Cinelândia. Do alto, será possível ver a frase no chão: "1000 dias sem respostas".

Devido aos protocolos de saúde pública diante do aumento dos casos da covid-19 na cidade do Rio de Janeiro, não haverá convocação para que os ativistas da Anistia Internacional e o público em geral participem do ato. É possível participar de casa. A ação continua ao longo do dia nas redes sociais. A Anistia Internacional, o Instituto Marielle Franco e influenciadores digitais como Camila Pitanga, Leandra Leal, Bruna Linzmeyer, Leoni, Petro Zezé, Rene Silva e Raull Santiago convocam toda a população a usar a hashtag #1000DiasSemRespostas.

Outra maneira de participar é assinando uma petição, no endereço https://bit.ly/mariellejustiça, para pressionar por justiça o governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o procurador-geral do Ministério Público, Eduardo Gussem. O Instituto Marielle Franco também abriu inscrição para voluntárias que queiram se mobilizar na luta por justiça. Para se inscrever basta acessar o site institutomariellefranco.org/voluntarias

"Não podemos aceitar a falta de respostas e de responsabilização desse crime brutal contra uma defensora de direitos humanos e vereadora eleita. Hoje, nesse marco de 1000 dias que coincidem com o Dia da Justiça, precisamos, de fato, despertar para a Justiça. Por Marielle, por Anderson e por todas as populações mais vulnerabilizadas. A trajetória de Marielle Franco - e o legado impulsionado pela mobilização social, física e digital que seu assassinato causou - precisa prosseguir. O silenciamento de seu mandato é a maior representação da perseguição a quem defende uma sociedade verdadeiramente justa", afirma Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional.

"São 1000 dias que acordamos todas as manhãs com a esperança de uma resposta. 1000 dias de dor e saudade. E não somos só nós da família que estamos interessadas. O Brasil precisa dessa resposta para que casos como esse não se repitam. Para que mulheres negras eleitas não sejam mais ameaçadas e sejam sim cuidadas. Para construirmos um futuro que garanta direito a vida para jovens negras como Agatha, Emily e Rebeca, crianças assassinadas que perdem suas vidas e sonhos. Não desistiremos de lutar por elas, nem muito menos por nós", diz Anielle Franco, irmã de Marielle e diretora executiva do Instituto Marielle Franco.

"A Cinelândia é palco tradicional de manifestações democráticas no Rio de Janeiro, e também endereço da Câmara de Vereadores da cidade. É um local muito representativo tanto para a democracia quanto para a história de Marielle Franco", explica Duda Pacheco, diretor da URBN Experience, agência que concebeu e produziu a ação.
Relembre o caso
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Eleita vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, Marielle Franco foi assassinada, no dia 14 de março de 2018, junto com seu motorista, Anderson Gomes, no bairro da Estácio, na região central da capital fluminense. O carro em que eles estavam foi atingido por vários tiros, quando criminosos se aproximaram em outro veículo e efetuaram os disparos.
Apesar de até hoje não se haver chegado a uma conclusão de quem mandou matar Marielle, as autoridades envolvidas no caso e responsáveis pela investigação suspeitam que o crime tenha sido cometido por motivações políticas, já que, na época, nenhum pertence foi levado no local da morte da vereadora e de seu motorista.
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Marielle Franco era conhecida por seu cuidado com as comunidades carentes do Rio e pela frequente defesa dos direitos humanos dos moradores dessas localidades, especialmente negros e mulheres. Ela também possuía grande importância nas denúncias que fazia envolvendo abuso de força por parte de policiais, e conquistava cada vez mais apoiadores pelas redes sociais, nas quais se afirmava como uma verdadeira ativista e defensora das minorias.