Decreto reabre crédito de R$ 1,6 bi para aquisição de vacinas - AFP
Decreto reabre crédito de R$ 1,6 bi para aquisição de vacinasAFP
Por Aline Cavalcante
Rio - Se em outros países a vacinação contra o coronavírus já começou, aqui no Brasil o processo caminha mais devagar. Enquanto São Paulo tem data marcada para 25 de janeiro para começar a imunização da população, o Rio de Janeiro segue ainda sem previsão. Só nesta quarta-feira (9) é que o governador em exercício, Cláudio Castro (PSC), criou um grupo de trabalho para planejar a aquisição e a vacinação em massa. Especialistas ouvidos pelo O DIA apontam que o planejamento já deveria estar pronto e que será um período de muitos desafios. 

"Primeiro é necessário saber qual vacina que vai ser aplicada. Se estivermos falando da vacina da Pfizer, ela requer uma temperatura de -70°C ou -80°C, isso é uma temperatura que nenhum freezer alcança, precisa ser um equipamento específico. Logo, se for esta vacina, a logística dessa rede de frio, da armazenagem nos galpões, do transporte refrigerado adequado e até chegar um freezer no posto de vacinação serão os primeiros desafios", explica Chrystina Barros, pesquisadora e Membro do Comitê de Combate ao Coronavírus da UFRJ.

A especialista disse ainda que outras vacinas também trarão desafio. "Existem outras vacinas que não requerem esta conservação e que se aproximam em muito da conservação das vacinas que nós já temos. Para estas vacinas, o desafio é saber se elas virão em dose única, dentro de seringas prontas para serem aplicadas ou se são vacinas que precisam ser reconstituídas. Então, a depender da vacina, vai ser necessário identificar se precisa de seringas, o tipo de agulha, o tipo de material e refrigeração".

A médica Roberta França, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, critica a demora das autoridade para se mobilizarem em torno da vacinação.

"A grande questão do plano de imunização é justamente a nossa falta de plano. Nós não temos um planejamento, até agora, vindo pelo governo federal, estadual e municipal. Nós já deveríamos ter pensado em um plano de contingência para a vacinação. Por onde vamos começar? Vai ser um grande desafio. Há alguns meses que a gente já devia estar trabalhando neste planejamento"

Outro ponto apontado pela médica, é o fato da vacina não ser obrigatória. "A vacina devia ser obrigatória diante do caos que estamos vivendo e da falta de controle, principalmente nas últimas três semanas. Falta seriedade em tratar desse assunto no Brasil. Enquanto isso, a população é que perde".

Estruturação das unidades de saúde

A especialista Chrystina Barros se mostrou preocupada com as estruturas dos postos de saúde nos municípios do estado do Rio de Janeiro.
"Cada prefeito que assumir agora vai precisar verificar em que condições estão os postos de saúde do Rio de Janeiro. Será que houve sucateamento? Será que os posto têm capacidade de armazenamento, geladeiras?", questiona.

Outro ponto levantado por Chrystina é em relação à demanda. "Temos uma estrutura para vacinações que já foram feitas, mas esta demanda pela vacina do coronavírus se sobrepõe à estrutura que temos, apesar da termos experiência em programa de imunização com muito sucesso. Provavelmente precisaremos de mais geladeiras, refrigeradores, isopor, termômetros e estrutura para guarda e transporte".

Para a médica Roberta França, as fases de vacinação devem acontecer de acordo com os modelos seguidos em outros países.

"Teoricamente, seguindo os protocolos que estão sendo colocados no mundo inteiro, o certo é começar por profissionais da área de saúde e idosos acima de 75 anos para que a gente consiga mantê-los protegidos e que essas pessoas que têm um potencial de agravamento maior fiquem doentes e precisem de respiradores ou de um leito de CTI. Depois viriam as pessoas de 65 a 75 anos, principalmente aqueles que tem comorbidades, e depois os abaixo de 60 e as acrianças", explica.