Comunidade do Santa Marta, em Botafogo, enfrenta problemas de falta de água e sanitização em plena pandemia de covid-19 - Daniel Castelo Branco
Comunidade do Santa Marta, em Botafogo, enfrenta problemas de falta de água e sanitização em plena pandemia de covid-19Daniel Castelo Branco
Por Bruno Gentile*
Rio - Enquanto o aumento no número de casos e mortes pelo novo coronavírus se concretiza a cada dia que passa no Rio, os moradores das comunidades estão tendo de enfrentar outro problema bastante recorrente no dia a dia: a falta de fornecimento de água, que já atinge diversas áreas da capital e do estado fluminense. Quem está sofrendo com essa ausência de abastecimento há uma semana é a comunidade do Morro Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul da cidade.
Guia turístico da favela e ex-morador, passando 37 de seus 39 anos residindo no local, o ativista Thiago Firmino, que também coordena a ação de sanitização no Santa Marta durante a pandemia da covid-19, explicou as dificuldades do cotidiano sem o uso de água e deixou claro sua indignação com a Cedae, empresa responsável pelo abastecimento.
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"Estamos sem água aqui já faz uma semana e isso, além de afetar nosso trabalho de sanitizar a área, contribui para que a favela tenha um maior número de contaminados pelo novo coronavírus. Ou seja, em plena pandemia, os moradores estão sem condições de se higienizar, porque a Cedae não resolve o problema nunca. A gente até brigou pelo retorno do abastecimento, alguns locais do morro tiveram a volta de água, mas a maioria não. É um absurdo o que fazem com a gente”, disse Thiago.
"O pessoal que eu conheço por aqui estão pegando água da chuva para tomar banho, indo para as nascentes de água natural da comunidade para se limpar. Tem gente até gastando dinheiro e comprando garrafas para poder deixar os recém-nascidos sem sujeira. Desse jeito, fica complicado demais. Como que os moradores podem fazer o isolamento, lavar as mãos e cumprir os protocolos de segurança da covid-19 se os responsáveis não lhes dão o mínimo de estrutura?”, completou, desabafando.
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Thiago também aproveitou o relato dos acontecimentos para criticar duramente a Cedae, afirmando que o descaso da companhia com a população pode, inclusive, gerar mais infecções e óbitos pelo novo coronavírus. "“E isso tudo não é apenas algum problema de abastecimento, é pouco caso mesmo da empresa, que tentou mentir para nós, dizendo que as equipes técnicas estavam indo consertar a tubulação e nada, sempre contando inverdades. Eles até vieram aqui algumas vezes, mas o transtorno permanece até hoje e, com isso, já estamos com uma semana sem fornecimento de água. A situação é deplorável.”
Falta de água vem de semanas no Rio
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Vários moradores da cidade do Rio e de Nilópolis começaram a reclamar, no dia 19 de novembro, de falta de água por conta de um reparo realizado pela Cedae. A companhia fez uma manutenção em um dos motores da Elevatória do Lameirão, conjunto de aparelhos responsável pelo abastecimento dos municípios.
Em alguns locais onde a distribuição de água foi afetada, houve relatos de cor escura e cheiro ruim no líquido vindo pelas torneiras. A Cedae já havia informado, na época, que, em decorrência da complexidade do conserto, a situação poderia levar de 20 a 25 dias para se normalizar.
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No Rio, bairros da Zona Oeste, como Campo Grande, e da Zona Norte, como Ricardo de Albuquerque, Pavuna e Anchieta, foram prejudicados pela manutenção da empresa.
*Estagiário sob supervisão de Thiago Antunes
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