Marcelo Moraes é empresário do ramo do entretenimento e turismo  - Jan Sen Photografia
Marcelo Moraes é empresário do ramo do entretenimento e turismo Jan Sen Photografia
Por O Dia

O ano de 2020 se mostrou um grande desafio para quem trabalha com turismo e entretenimento. Hotéis e casas de shows passaram boa parte do ano fechados em função do alto índice de contaminação do coronavírus, o que fez com que o setor estagnasse e muitas pessoas perdessem o emprego. Pensando numa retomada, o empresário Marcelo Moraes fala sobre como organizar os próximos eventos em 2021, levando em consideração os todos os cuidados que ainda serão necessários até fim da pandemia. "O turismo movimenta a cadeia produtiva de uma cidade, pois ele vai desde a hospedagem, passando pelo transporte, alimentação e comércio. Turismo gera emprego, e isso é importante, principalmente no Brasil, onde o índice de desemprego aumentou muito. Sem falar que também melhora a qualidade de vida e é o novo petróleo", frisa o empresário, considerado um dos maiores do ramo na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. 

Você é promotor de eventos, setor muito afetado nessa pandemia. Alguns eventos, como os corporativos, já podem ser realizados no Rio de Janeiro. Qual é a sua visão e perspectiva do futuro desse mercado na cidade/país?

Num primeiro momento, acredito em eventos híbridos (presencial e virtual). Será preciso garantir a segurança de todos com máscaras, álcool em gel e distanciamento, o mesmo vale para coffee breaks, almoços ou jantares, a preferência para estes serviços são o formato lunch box. Quanto aos eventos sociais, festas, etc.., não vejo, por enquanto, uma saída, pois o vírus ainda circula entre nós e o poder de transmissão é grande. Acredito que o ideal seria liberar somente após a vacina estar disponível ou termos uma endemia.

Acredita que esse formato de evento vai continuar pós-pandemia?

Acredito que este é um caminho sem volta. Só foi antecipado com a pandemia. Basta uma conta rápida para ver que a redução de custos e despesas será significante. Só gostaria de frisar que nada substitui o contato humano, por isso, não acredito em eventos 100% online, acredito nas plataformas hibridas, que mesclam o presencial e o virtual.

Quais são as diferenças em contratar algum serviço online e um serviço presencial?

As reuniões, antes presenciais, se tornaram online por alguma ferramenta (zoom, Skype, etc...). Porém, mesmo que contratemos serviços de transmissões online, a visita técnica ainda é necessária para, pelo menos, termos a certeza de que o local exista. A presencial tem a questão de que transmite mais força, lealdade, segurança, etc... A online já tem uma questão mais "fria" e ainda são poucas empresas com forte reputação, o que traz insegurança.

 Apesar da reabertura de diversos setores, a forma como viajamos com certeza irá mudar. Como o setor hoteleiro, restaurantes, mercado local vão se recuperar?

Este ano infelizmente gerou um prejuízo irrecuperável para todos os setores, porém, alguns deles se reinventaram, entrando forte no delivery, como bares e restaurantes. O turismo afeta no mínimo 50 outros setores como alimentação, hospedagem, aluguel etc. Quanto à rede hoteleira, infelizmente, é um setor que levará mais tempo, não só pela pandemia em si, mas também pela fraca gestão exercida. Diversos hotéis que foram abertos para as Olimpíadas, por exemplo, já apresentavam baixa ocupação e muitos fecharam na pandemia e não mais reabrirão. Não obstante, os mercados locais sofreram muito e tivemos mais de 30% de contratos encerrados e pontos fechados, além de uma inadimplência recorde.

Então como será essa recuperação?

Será de forma lenta, mas acredito que o melhor a se fazer é investir no mercado interno, inclusive quando da retomada, até os trabalhadores terem essa prioridade, vide a taxa de desemprego. Acredito que 2021 terá um crescimento do que chamo de staycation, turismo de escapada que levam pessoas a lugares próximos dentro do país. Os destinos mais procurados são os que ficam perto de centros urbanos. Basta ver os locais mais procurados durante a pandemia: Campos do Jordão, Ilhabela, Penedo, Porto de Galinhas. O grande negócio será o turismo doméstico e aluguel de hospedagem, que darão os melhores dividendos.

 Você também é o produtor do 'Brazilian Day Newark', em Nova Jersey, nos EUA, que surgiu há dois anos. O que planeja para 2021? Terá o evento?

Este é um evento local, que em 2019 atraiu mais de 1 milhão de pessoas em dois dias. Os Estados Unidos estão mais adiantados que o Brasil e como o evento será em setembro, acredito que 90% da população local esteja vacinada. As conversas com o prefeito local estão mantidas e acreditamos que possamos dar alegria a brasileiros e americanos na região.

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