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Escritor da Penha espera incentivar vozes da favela após Prêmio Jabuti

Morador do Morro do Caracol, Otávio Júnior venceu o Oscar da literatura brasileira com o livro 'Da Minha Janela'

Otávio Júnior é do Morro do Caracol, no Complexo da Penha, e já tem seis livros publicadosArquivo Pessoal
Por RAI AQUINO
Publicado 09/12/2020 05:00 | Atualizado 09/12/2020 13:55
Rio - É através das palavras que Otávio Júnior, de 37 anos, retrata a favela não só para os próprios moradores, como também para quem é de fora. Cria do Morro do Caracol, no Complexo da Penha
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Escritor da Penha espera incentivar vozes da favela após Prêmio Jabuti

Morador do Morro do Caracol, Otávio Júnior venceu o Oscar da literatura brasileira com o livro 'Da Minha Janela'

Otávio Júnior é do Morro do Caracol, no Complexo da Penha, e já tem seis livros publicadosArquivo Pessoal
Por RAI AQUINO
Publicado 09/12/2020 05:00 | Atualizado 09/12/2020 13:55
Rio - É através das palavras que Otávio Júnior, de 37 anos, retrata a favela não só para os próprios moradores, como também para quem é de fora. Cria do Morro do Caracol, no Complexo da Penha
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"Eu amava ler e gostava de ter contato com o livro e a literatura, mas percebi que meus amigos não. Então, decidi levar algumas atividades para centros culturais na minha favela", conta.
LIVREIRO DO ALEMÃO
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Das atividades culturais, o escritor montou uma biblioteca itinerante. Aproveitando que estava totalmente engajado na leitura, ele pegou seu pequeno acervo pessoal de livros e rodou pelos complexos do Alemão e da Penha para que outros moradores também tivessem contato com aquele universo.
"A recepção foi incrível. Recebi muitos agradecimentos dos pais, por poder fazer com que aquelas crianças tivessem contato com a literatura. O projeto foi crescendo, chamando a atenção de diversas outras instituições e ganhou notoriedade através do boca a boca", narra.
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Foi quando Otávio escreveu seu primeiro livro, chamado de O Livreiro do Alemão (2011), apelido que recebeu pelo projeto desenvolvido no Alemão e na Penha. A obra conta a história do escritor até aquele momento.
"Sempre gostei de escrever. Na minha adolescência, rascunhava pequenos textos. Já no meu processo de aprendizado, percebi que muitos moradores das favelas gostavam de ler, mas não tinham muitos livros com a possibilidade de eles serem reconhecidos", afirma.
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PÁGINAS DE FAVELA
Do "Livreiro do Alemão" para cá, vieram outras cinco publicações, todas voltadas para o universo infantojuvenil e com histórias que se passam na favela. No premiado "Da Minha Janela", Otávio narra o que um morador de comunidade vê de sua janela, com ilustrações da argentina Vanina Starkoff.
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"O resultado do mercado sobre os meus livros foi totalmente incrível. Até então, não existiam publicações voltadas para o público da periferia. A galera da favela agora se sente representada e quem é de fora conhece a nossa cultura", orgulha-se.
O escritor avisa que ainda faltam muitas histórias a serem contadas e, principalmente, jovens de comunidades serem motivados. Ele diz que é "testemunha" de situações que acontecem nas comunidades e que vem se capacitando há muito tempo para poder retratá-las.
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"O mercado tem percebido a importância da publicação desses livros e de ampliar as vozes. E o meu sonho é ter a favela conectada com a literatura, com as artes e a educação. A transformação que nós favelados queremos vai vir por meio da literatura, que é uma potente ferramenta para essas mudanças", enfatiza.
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