Paralisação do BRT causou transtornos no Rio - FOTOS DE Luciano Belford
Paralisação do BRT causou transtornos no RioFOTOS DE Luciano Belford
Por Aline Cavalcante
Rio - Uma das estações mais movimentadas do corredor Transoeste, a Mato Alto, em Guaratiba, ficou fechada na manhã desta segunda-feira, devido a paralisação dos motoristas.

A auxiliar de serviços gerais Sandra Maria, 47, desistiu de esperar o ônibus e decidiu voltar para casa. Ela mora em Campo Grande e trabalha na Barra da Tijuca.

"Estava indo trabalhar, mas os ônibus estavam lotados e nem estavam parando no ponto, as vans também estavam cheias. Resolvi voltar pra casa".

A volta para casa foi mais longa e mais cara para a técnica de enfermagem Mariana Santos, 25, moradora de Santa Cruz.

"Eu chego em casa geralmente antes de 11h, hoje vai demorar mais. Trabalho em Copacabana e saí de um plantão de 72 horas hoje de manhã. Tive que pegar metrô até Jardim Oceânico e depois gastei R$ 45 com o Uber até Mato Alto. Agora vou esperar a carona de amiga para conseguir chegar em casa. Só quero chegar em casa e descansar".
Sistema BRT fechado
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O BRT Rio está paralisado nesta segunda-feira nos seus três corredores (Transoeste, Transcarioca e Transolímpica). Segundo o consórcio que administra o transporte, alguns motoristas impediram a saída dos ônibus das garagens em protesto contra a perspectiva de atraso de salários este mês. Não há previsão para a regularização da atividade.
A cidade entrou em estágio de atenção às 6h30 desta segunda-feira por conta da paralisação. O estágio de atenção é o terceiro nível em uma escala de cinco e significa que há riscos de ocorrências de alto impacto na cidade. Há possibilidade de nova mudança de estágio devido a chuva ou outros fatores.
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BRT anunciou que não tem dinheiro
No sábado (30), o BRT divulgou nota para anunciar que não tem recursos para honrar os próximos compromissos prioritários, como o pagamento da segunda parte do salário de janeiro – em 5 de fevereiro – e a compra de insumos necessários à operação, como combustível, por exemplo.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, no BRT atuam cerca de 450 motoristas. Ele afirma que já havia informado a direção do BRT sobre a possibilidade de paralisação devido ao rodízio imposto aos funcionários. A situação piorou quando a empresa informou que não haveria condições de realizar o pagamento da categoria este mês.
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A partir de acordo assinado com o Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro, o BRT Rio adotará, em fevereiro e março, um sistema de rodízio entre seus colaboradores, com a dispensa de até 10 dias e a equivalente redução salarial.

"Nossa maior preocupação é com os profissionais da categoria e com os usuários que poderão sofrer diretamente com isso. Que fique claro que não podemos ser responsabilizados por essa bagunça entre a Prefeitura e o BRT. Somente eles podem dar uma resposta para a sociedade e não a categoria", diz o presidente do sindicato dos rodoviários em nota.
O Rio Ônibus lamentou em nota a paralisação do sistema BRT Rio nesta manhã e disse temer que o movimento se estenda para todo o setor.