Audiência, em novembro, incluindo a deputada federal Flordelis, do processo que trata do assassinato do pastor Anderson do Carmo - Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Audiência, em novembro, incluindo a deputada federal Flordelis, do processo que trata do assassinato do pastor Anderson do CarmoReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Por O Dia
Rio - O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) marcou o julgamento do recurso do Ministério Público que pede o afastamento de Flordelis do cargo de deputada federal para o dia 23 de fevereiro. A sessão está agendada para ter início às 13h30 e o relator do processo será o desembargador Celso Ferreira Filho.
Publicidade
O documento assinado pela procuradora Maria Christina Pasquinelli diz que “apesar do crime não ter ligação com o mandato de deputada, Flordelis pode usar o cargo para afetar o andamento do processo criminal”.
No mês passado a juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce, da 3ª Vara Criminal de Niterói, onde o processo é julgado, negou o pedido para que a parlamentar fosse afastada de suas funções. O promotor do caso, Carlos Gustavo de Andrade recorreu à decisão.
Publicidade
A decisão caberá, agora, aos desembargadores da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. O advogado Angelo Máximo, assistente de acusação no processo, fará sustentação oral na sessão.
No recurso, o pedido do promotor Carlos Gustavo é para que Flordelis seja afastada de suas funções públicas até o fim da primeira fase do processo, que se encerra com a sentença de Nearis decidindo se os réus irão a júri popular pelo crime.
Publicidade
Além do pedido do Ministério Público, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados aprovou, no dia 28 de outubro, por unanimidade, o encaminhamento do processo administrativo contra Flordelis ao Conselho de Ética. Isso poderá acarretar na perda do mandato por quebra de decoro parlamentar. 
Apesar da votação ter acontecido, o procedimento ainda não foi enviado pois a comissão não estava funcionando. Devido à pandemia da Covid-19, o Congresso Nacional suspendeu todas as comissões permanentes da Câmara e do Senado. Agora, com o fim do recesso parlamentar, os deputados vão eleger uma nova formação para o Conselho de Ética. Só em seguida os processos disciplinares vão iniciar tramitação na comissão, que tem prazo de 90 dias para julgá-los.
Publicidade
Processo
Flordelis e mais 10 pessoas são réus no processo que julga os responsáveis pela morte de Anderson do Carmo. Em depoimento, testemunhas de acusação afirmam que a deputada orquestrou a morte do marido. À juíza Nearis, a parlamentar disse que soube de um plano para assassinar o pastor, mas negou sua participar.
Flordelis acusa a filha adotiva Marzy Teixeira da Silva de tentar convencer o irmão Lucas Cézar dos Santos para matar o pai adotivo. As mensagens estavam no celular usado pela deputada.
Publicidade
As investigações da morte do pastor foram divididas em três partes. Na primeira fase, Lucas e o irmão Flávio do Santos, filho biológico de Flordelis, foram presos pela morte do pai. Lucas por ter negociado a compra da arma do crime e Flavio por atirar na vítima.
Na segunda fase, a justiça indiciou nove pessoas, entre elas a deputada federal. Flordelis não foi presa por ter imunidade parlamentar. Cinco filhos e uma neta da pastora foram acusados de participação no crime. Um ex-policial militar e a esposa dele foram indiciados por participar da confecção de uma carta escrita por Lucas.
Publicidade
Já na terceira fase, a polícia investiga mais um filho e uma neta da deputada, seu motorista e sua cozinheira.