Placas contendo o nome de pessoas mortas por conta da violência no Rio - Divulgação / Rio de Paz
Placas contendo o nome de pessoas mortas por conta da violência no RioDivulgação / Rio de Paz
Por O Dia
Rio - Ana Clara Gomes Machado - morta vítima de bala perdida na comunidade Monan Pequeno - teve o seu nome instalado em placa na Lagoa Rodrigo de Freitas, Zona Sul, pela ONG Rio de Paz, nesta sexta-feira (5), junto ao espaço em que a organização mantém placas com nomes de crianças e adolescentes mortos por armas de fogo, a maioria por balas perdidas. No local, há também placas com nomes de policiais mortos vítimas da violência.
Ana, de 5 anos, foi vítima de uma bala perdida enquanto brincava na porta de casa. A Polícia Militar afirmou que realizava uma patrulha e trocou tiros com criminosos próxima à comunidade em que Ana morava, mas família contesta versão, alegando que não havia tiroteio no momento em que ela foi morta. Ana é a segunda criança vítima de bala perdida morta esse ano no estado.
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A placa com o nome dela está ao lado da de Alice Pamplona da Silva de Souza, de 5 anos, morta na madrugada do dia 1° de janeiro quando via os fogos do Ano Novo, no colo da mãe, no Morro do Turano, no Rio Comprido, Região Central do Rio. Não havia operação policial na localidade. O tiro teria sido disparado a esmo por um bandido.
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O Rio de Paz começou a acompanhar os casos de crianças vítimas da violência a partir de 2007, até o momento a ONG contabilizou 80 crianças e adolescentes mortos por armas de fogo no estado fluminense.

De acordo com o coordenador de projetos do Rio de Paz, Lucas Louback, a maioria das crianças mortas contabilizadas pela ONG são pobres e negras. “Essa cultura bélica, que por vezes é estimulada e celebrada por parte dasociedade, tem ceifado muitos inocentes. Isso tem que parar”, afirmou Lucas.

POLICIAL MORTO

Também foi colocada a placa com o nome do policial civil Rodrigo Roboredo nesta sexta. O agente foi morto durante um assalto, em São Gonçalo, no dia 13 de janeiro, após reagir ao ataque dos criminosos. Ele foi assassinado na frente da sua esposa e filho.

"A nossa política de segurança tem também tirado a vida dos nossos policiais, que estão expostos a violência que não dá trégua ao Rio", ressaltou Lucas.

O painel com as placas é uma instalação permanente da ONG Rio de Paz desde 2015 quando o médico Jaime Gold foi morto a facadas em um assalto no local, na porta de casa, enquanto brincava. No local, PMs e bandidos trocavam tiros.