Luciana Oliveira, a primeira mulher a ser Responsável pelo COS do Rio de Janeiro
Luciana Oliveira, a primeira mulher a ser Responsável pelo COS do Rio de JaneiroDivulgação / Enel
Por Josué Santos*
Rio – Em janeiro de 2021, Luciana Oliveira se tornou a primeira mulher a ser nomeada como responsável pelo Centro de Operações do Sistema (COS) da Enel, distribuidora de energia elétrica do estado do Rio de Janeiro. A engenheira começou na empresa como estagiária e já havia sido, também, a primeira mulher contratada para a área de Operações da empresa. Em conversa com o DIA, Luciana contou um pouco de sua trajetória e mostrou como uma mulher pode confiar em sua capacidade técnica para alcançar o sucesso.
"Os meus pares, os responsáveis pelos outros processos, me tratam de igual pra igual. Quando tem que brigar, vamos brigar. Não sinto uma diferenciação por ser uma mulher nessa posição. Hoje, eu acho que a capacidade técnica e o conhecimento falam mais alto", conta Luciana.
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A engenheira entrou como estagiária na área em que está em 2004 e, desde então, já viu muitas mudanças na forma como as mulheres são vistas dentro deste campo.
"No começo, não era uma coisa natural. Eu lembro que quando eu atendia o telefone, quando eu era operadora, a pessoa falava 'você pode me passar para o operador do turno?’. E eu respondia: 'Eu sou a operadora, você pode falar comigo'", ela lembra.
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Segundo a nova responsável pelo COS, hoje, existem mulheres trabalhando tanto no COS quanto nas equipes de rua, além daquelas que trabalham com as manutenções nas subestações da Enel.
"Na minha área, de 70 colaboradores, somos 10 mulheres. Parece um número pequeno quando você fala no todo, mas se você pensar que há algum tempo não tinha nenhuma... E as meninas [estão] se destacando absurdamente, fazendo um trabalho ótimo", destaca a engenheira.
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Luciana acredita que a Engenharia vem abrindo cada vez mais espaço para a atuação de mulheres no mercado de trabalho. Mas reconhece que ainda existem atrasos em algumas áreas. Ela cita seu próprio caso, com uma escala de plantões, que inclui trabalhar de madrugada.
"Às vezes, as pessoas pensam assim 'como é que uma mãe vai trabalhar em turno, vai deixar seu filho de madrugada?' Ué, o marido vai ficar com o filho! Se o homem fosse trabalhar, a esposa não ia ficar com o filho? Isso que eu acho que talvez tenha demorado um pouco mais", ela pondera. Luciana é casada desde 2002 e tem um filho de 12 anos de idade.
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Rotina intensa de operadora se acentuou com a liderança
Luciana é a responsável de Network Operations, as Operações de Rede do Rio, trabalhando no Centro de Operações do Sistema. Os operadores (e operadoras) do COS fazem a supervisão remota de todas as instalações da Enel no estado do Rio de Janeiro. Por ser um trabalho em atividade durante 24 horas por dia, os funcionários trabalham mediante escala com 2 dias trabalhando pela manhã, 2 dias trabalhando à tarde e mais 2 dias no plantão da madrugada.
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"Se um cliente reclamar que sua está sem fornecimento [de energia], essa reclamação vai para o call center e cai pra gente. Os nossos operadores vão fazer todo o trâmite pra garantir que essa carga seja restabelecida", Luciana explica. "A gente chama que aqui é o coração da empresa, tem que estar pulsando o tempo todo", ela brinca.
Luciana foi a primeira mulher a se tornar operadora na Enel Rio e, hoje, como responsável, pela área, enfrenta mais desafios em seu trabalho.
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"Fácil nunca foi. Exige que eu tenha disposição, tem que atender telefone de madrugada, tem que atender às emergências, tem que estar presente pra apoiar a equipe, coordenar algumas manobras. O grande desafio é coordenar todas essas pessoas em uma área que não para, se dividir tanto pessoalmente, quanto profissionalmente nisso tudo", ela relata.
Equilibrando carreira e vida pessoal
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Com uma profissão que exige tanta disponibilidade, Luciana conta com a ajuda de sua família para dividir bem seu tempo. A engenheira cresceu vendo sua mãe trabalhando fora, então, para ela foi bem natural seguir pelo mesmo caminho. Ela reconhece que seu caso, desde quando era a filha até o momento de ser a mãe que trabalha fora, representa uma mudança que vem ocorrendo na sociedade.
"Eu acho que a mulher que escolhe se dedicar exclusivamente a cuidar do seu filho e da sua família, em casa, não tem diferença de valorização. Só que, pra mim, sair para trabalhar e deixar meu filho, eu não tinha referência de que isso fosse como se eu estivesse 'devendo' alguma coisa", ela revela. Luciana conta que se sentiu ausente durante o período em que fazia sua faculdade e trabalhava.
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"Mas, depois, eu pensei: o tempo também envolve a qualidade do tempo que você está com a criança, envolve outras coisas que não só sua disponibilidade física de estar ali", ela explica. Após chegar a essa conclusão, Luciana conseguiu se dedicar a sua carreira, enquanto recebia apoio de sua família, que já entendem, por exemplo, os momentos em que a engenheira precisa se ausentar para atender uma emergência.
"Eu acho que todo mundo abraçou a causa, até meu filho mesmo. Ele tem maior orgulho, ele fala 'ah, mãe você vai ter que atender o pessoal, tá faltando luz aonde?'. Ele compreende, porque realmente tem que ser uma divisão", Luciana conta.
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Se tornando referência para mulheres
"Com grandes poderes, grandes responsabilidades", Luciana brincou quando contava sobre os altos e baixos da liderança. Sendo a primeira mulher a ocupar o cargo de responsável de Network Operations, Luciana também se tornou uma referência para mulheres dentro da Enel.
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"Quando eu assumi o posto, eu me emocionei, porque eu recebi mensagens de várias meninas de dentro da empresa dizendo: 'Lu, você é um orgulho pra gente! A gente fica tão feliz de ver você tendo esse sucesso sendo promovida, estando numa posição de liderança e uma posição que era majoritariamente masculina. Que você impõe o respeito, a posição. Ocupou esse espaço'. Eu recebi essa mensagem que isso era motivo de orgulho, de inspiração e motivação."
Luciana ainda mencionou que, ao ser promovida, foi parabenizada por colegas, homens e mulheres, por ser uma "prata de casa". Luciana foi estagiária da Enel quando ainda estudava Eletrotécnica no Cefet-RJ. Depois, já cursando o ensino superior, voltou para a Enel como estagiária de Engenharia. Antes de chegar à posição em que está atualmente, Luciana foi operadora do COS, depois, assumiu a coordenação das atividades de Tempo Real e Pré-operação do sistema de alta tensão.
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De toda a sua trajetória de estagiária a líder, Luciana reconhece a importância de acreditar em sua capacidade e de receber apoio de pessoas ao se redor. Para encerrar, ela deixa conselhos para mulheres que também desejam grandes conquistas.
"Não se deixe vencer pelos obstáculos. Quando você estiver achando que vai desistir, respira e aguenta mais um pouco. Busque ajude. Eu acho que a gente precisa do coletivo pra ir bem. Busque apoio tanto na sua família quanto na sua equipe. E vá em busca dos seus sonhos", diz a engenheira.
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"Uma coisa que a gente tem que considerar especialmente no caso de ser mulher: não se deixe assustar por estar entrando numa área em que você não tem referências de mulheres. Vá e faça de si uma referência. Faça de si uma referência que você vai conseguir", Luciana encerra.
*Estagiário sob supervisão de Thiago Antunes