"'Viajar de Kombi é sentir que a estrada é a sua nova casa. É romper a imensidão do horizonte para abraçar o céu', escreveu Fernanda na legenda de um vídeo em que pilotava o seu possante por Aiuruoca, ao Sul de Minas Gerais.
"'Viajar de Kombi é sentir que a estrada é a sua nova casa. É romper a imensidão do horizonte para abraçar o céu', escreveu Fernanda na legenda de um vídeo em que pilotava o seu possante por Aiuruoca, ao Sul de Minas Gerais.Arte Kiko sobre foto de Nathália Marques
Por ANA CARLA GOMES
O estalo para embarcar nas memórias sobre quatro rodas veio através de um post no Instagram da fotógrafa Fernanda Dias, logo no início deste ano. Além dos cliques, ela duplica seu talento com a arte das mandalas que a ajudaram a superar uma depressão após a morte do irmão, em 2014, e ganharam fama ao zarparem pelo país numa Kombi branca. "Viajar de Kombi é sentir que a estrada é a sua nova casa. É romper a imensidão do horizonte para abraçar o céu", escreveu Fernanda na legenda de um vídeo em que pilotava o seu possante por Aiuruoca, ao Sul de Minas Gerais.
Parecia até cena de filme. E poderia ter sido. Afinal, quantas vezes viajamos pela grande tela em histórias trilhadas nas estradas? Em 'Pequena Miss Sunshine' (2006), a sonhadora Olive, vivida pela atriz Abigail Breslin, reuniu os universos bem peculiares e únicos da família Hoover no sinuoso percurso entre o Novo México e a Califórnia, numa Kombi amarela e branca. A cena que estampa o pôster promocional é emblemática: a família toda correndo para entrar no veículo, após empurrá-lo para pegar no tranco. "Ninguém fica para trás" é uma das falas marcantes da obra, vencedora de dois Oscars.
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Dias desses, ao encontrar a Raquel, amiga dos tempos do Jardim de Infância, lembramos que também guardamos um carinho especial pela famosa Kombi. Mesmo de máscara, a expressão dos nossos olhos dava o tom de euforia a cada relíquia resgatada na memória em alguns minutos de bate-papo. Recordamos a época em que cursamos o antigo Segundo Grau. Deixávamos bem cedinho a Baixada Fluminense em direção à Zona Sul do Rio, e quem nos levava até lá era um senhor que conduzia uma Kombi.
Aqueles adolescentes uniformizados, achando tudo "um mico", desembarcavam constrangidos, sob os olhares dos demais colegas. No nosso trajeto para descobrir um novo mundo cabiam dúvidas sobre o vestibular e qual área escolher: Humanas, Exatas ou Biológicas. Se aquela Kombi falasse diria que ali dentro cabiam inúmeros sonhos. E nenhum deles ficava para trás.