combustívelfotos divulgação

Rio - Por volta das 18h da quarta-feira (6), Frank Meira Juviniano, presidente da Associação Nacional de Distribuidores de Combustíveis (ANDIC), recebeu um telefonema ameaçador, de acordo com relato que fez à polícia. Do outro lado da linha estava Flávio Silvério Siqueira, empresário do segmento que ganhou fama por adulterar gasolina e por suas ligações com a principal facção criminosa de São Paulo. Segundo a versão de Frank, Siqueira disse que conhecia sua rotina e a de sua família.
"Ele falou que eu tinha, no máximo, 30 minutos para assinar um documento que enviaria minutos depois por meio de um aplicativo de mensagens. Disse que minha família sofreria as consequências se eu não fizesse o que ele estava mandando", diz.
O documento enviado por Siqueira, ainda segundo Frank, era uma declaração que desmentiria denúncias protocoladas pela associação à Agência Nacional de Petróleo (ANP) e à Justiça sobre crimes praticados pela distribuidora World Combustíveis. Dentre elas, a que um dos proprietários da World, o piloto André Marques, mantém ligações com um esquema de lavagem de dinheiro por meio da comercialização de combustíveis. O documento de Siqueira continha trechos sobre uma suposta orientação que Frank recebera de advogados para fazer as denúncias.
Apesar do medo causado pelo telefonema, Frank não assinou o documento, conforme exigência de Siqueira. O que ele fez foi procurar uma delegacia de polícia em São Paulo para registrar um boletim de ocorrência em que narrou a ameaça recebida. Frank, acompanhado de sua família, também deixou o país após a intimidação de Siqueira.
Uma das linhas de investigação da Polícia Civil será o próprio documento enviado por Flávio Siqueira a Frank. É que o arquivo traz a informação de ter sido redigido em um computador do advogado Paulo Inácio Xavier, que tem ligação próxima com o advogado que assina a maioria das petições da World, tendo inclusive substabelecido para este advogado em diversos processos.
Saiba mais sobre Flávio Silverio Siqueira
Flávio Silvério Siqueira - divulgação
Flávio Silvério Siqueiradivulgação
Segundo matéria exibida no Programa Domingo Espetacular, da TV Record, Flávio Siqueira é um antigo conhecido da Polícia Federal e teria sido um dos precursores do esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado por meio de postos de combustíveis. O nome de Siqueira também apareceu em reportagem da "Folha de S. Paulo" há 12 anos. Na matéria é acusado de ser o grande operador da lavagem de dinheiro em postos de combustíveis, que comercializavam produto adulterado. Ainda conforme relatório da Polícia Federal, Siqueira seria um dos donos do helicóptero usado no homicídio de dois membros do grupo que coordena o crime organizado no estado de São Paulo.
No início do esquema, Siqueira constava como sócio dos postos, mas após a vinculação de seu nome pela Secretária de Fazenda de São Paulo com a venda de combustíveis adulterados, o modo de operação da quadrilha teve de ser alterado. Foi quando Siqueira passou a procurar empresários do setor de combustíveis com dificuldades financeiras e arrendar postos.
Fontes disseram que Siqueira tem interesses na operação da World Combustíveis, de propriedade do piloto de Fórmula Truck, André Marques, já que teria feito contato com Frank. A World Combustíveis conseguiu uma liminar na Justiça Estadual a para distribuir combustíveis no estado do Rio de Janeiro.
Saiba mais sobre Paulo Inácio Xavier
Paulo Inácio Xavier  - divulgação
Paulo Inácio Xavier divulgação
O advogado mantém relação próxima com políticos fluminenses. Em 2019, Xavier foi Assessor Especial de um Subsecretário e em 2020 assumiu o cargo de Subsecretário de Estado do Rio de Janeiro, durante o governo de Wilson Witzel. Além disso, fez parte da comissão, como membro indicado pela Secretaria de Estado da Casa Civil e Governança, que suspendeu as atividades da construtora Odebrecht na administração do estádio do Maracanã.
Seu nome já foi vinculado a decisões judiciais que beneficiam empresas com a não incidência de imposto de produto industrializados e que forjam compra e venda de indústrias de cigarro e bebida. Segundo documentos da PF, essas empresas deixaram de recolher bilhões de reais aos cofres públicos.