Organização nos desfiles
A repressão aos trabalhadores ambulantes também foi abordada por representantes dos camelôs e de blocos de carnaval de rua. Maria do Carmo, integrante do Movimento Unidos dos Camelôs, ressaltou que é provável que aumente o número de ambulantes na rua no próximo carnaval em razão da crise econômica. "Agora em 2022 vai ter muita gente na rua para vender e a gente não pode deixar que o fomento da prefeitura seja a repressão. A gente está aqui para discutir isso. Os trabalhadores informais precisam de um olhar diferente da Prefeitura. Ele está ali porque não tem onde tirar o seu sustento. Muitos camelôs falam para mim que o carnaval é o natal deles.”
O vereador Tarcísio Motta disse que irá solicitar uma reunião entre a Comissão Especial, a Secretaria de Ordem Pública, a Riotur e a Guarda Municipal sobre esse ponto.
Edital Cultura do Carnaval Carioca
A coordenadora de Fomento da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Lia Baron, anunciou que o edital “Cultura do Carnaval Carioca”, lançado no início do ano, recebeu um total de 339 inscrições. Foram 125 grupos contemplados e o resultado dos será publicado no Diário Oficial da próxima segunda. A pasta acredita que o pagamento dos R$3 milhões previstos no edital será feito no próximo mês.
Alguns integrantes de blocos de carnaval de rua elogiaram o edital de fomento capitaneado pela Secretaria Municipal de Cultura, mas demandam que seja criada uma política pública permanente para o carnaval.“É evidente que editais de apoio ao carnaval são fundamentais. Para a gente é uma alegria enorme que isso esteja acontecendo. Agora a questão do apoio financeiro ao carnaval não pode ficar restrita a esses editais e os blocos ficarem todos espremidos nessa linha de ficar todo mundo disputando espaço no edital. Já está mais do que comprovado que o carnaval de rua é uma das atividades econômicas mais importantes da cidade”, enfatizou Kiko Horta, do Cordão do Boitatá.
Uma das sugestões aventadas foi que os blocos de rua estivessem contemplados com recursos no caderno de encargos. No entanto, Rodrigo Rezende, da Liga do Zé Pereira, defende que a participação da Secretaria Municipal de Cultura é primordial. “Eu entendo a sugestão de buscar dinheiro privado via caderno de encargos. Mas eu também entendo o carnaval como uma efeméride absolutamente necessária não só economicamente como também em relação a identidade das pessoas que moram em nossa cidade.”
Próximos passos da Comissão Especial do Carnaval
O vereador Tarcísio Motta adiantou qual será o cronograma de trabalho da Comissão Especial.“Na data para os 100 dias para o carnaval, ali em meados de novembro, nós iremos realizar uma audiência pública para avaliarmos as possibilidades de termos carnaval em 2022 e quais indicadores e protocolos serão utilizados pela prefeitura para garantir a segurança sanitária na cidade antes, durante e depois do carnaval. Até lá faremos audiências que não irão abordar especialmente o tema da pandemia, mas que terão como foco as demandas dos trabalhadores do carnaval e dos foliões.”
Também participaram da audiência a relatora da Comissão, a vereadora Monica Benicio (PSOL); a advogada Anna Cecília Bonan; a representante da Liga Sambare, Valéria Wright; a representante do Coreto, Daniela Freitas, entre outros.
