"Seja qual for o caminho escolhido — numa travessia de barca pela Baía de Guanabara, numa corrida pelo asfalto da Zona Sul ou num passeio cultural pelo Centro do Rio —, sinto que todos nós viramos novamente debutantes na vida" Arte: Kiko
Publicado 14/11/2021 09:00
Nos passeios compartilhados pelos amigos nas redes sociais ou através da boa e antiga conversa por telefone, vou vendo e ouvindo que as experiências reais voltam a ter vez. O virtual, que nos conectou com tanta gente desde o início da pandemia, vai abrindo passagem para o olho no olho tão verdadeiro e presencial. Aos poucos, vamos revivendo o velho "tête-à-tête".
Lembro, então, dos bate-papos com a minha amiga Delma, de Niterói, nesses últimos meses. Após trabalhar durante anos no Centro do Rio, ela não conseguia vislumbrar quando voltaria ao bairro carioca para um simples passeio. Até que chegou o dia, motivada pela incrível exposição 'Nise da Silveira — A revolução pelo afeto', no CCBB-RJ, na Rua Primeiro de Março.
Virou uma ocasião especial: uma semana antes, ela agendou a visita e viveu a expectativa para atravessar a Baía de Guanabara na mesma barca que por tantas vezes foi o seu meio de transporte. Além de escolher um local mais vazio na embarcação, desta vez ela carregou um sentimento novo na travessia.
Viver presencialmente tem merecido uma enorme alegria após tantos momentos difíceis. Com 16 anos de corridas no currículo, o meu amigo Celso fazia uma contagem regressiva nos últimos dias. Sem disputar uma prova oficial desde fevereiro de 2020, ele me contou que madrugaria hoje para a Meia-Maratona do Rio, com largada no Leblon e chegada no Aterro do Flamengo. Até brinquei que iria prestigiá-lo se não fosse tão cedo. "Cedo... Onde cinco horas da manhã é cedo?", retrucou ele, com seu habitual humor ácido.
Pensando em tudo isso, também vivi a experiência de repetir, após muito tempo, um programa antes tão usual para mim. Nos meus arquivos — de fotos e do coração — não são raros os registros de passeios culturais ou gastronômicos com a minha amiga Elaine, na época em que trabalhávamos presencialmente.
Mas, na última terça-feira, conseguimos conciliar os horários para conferir o recém-reaberto Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, na Rua Luís de Camões. O tempo era curto, mas deu para admirar a paisagem de uma varanda do prédio histórico e brincar com a nossa silhueta num jogo de luzes numa das salas do centro cultural. E ainda enveredar numa espécie de labirinto em instalações ao ar livre que nos surpreenderam com uma bela perspectiva de prédios da região.
Seja qual for o caminho escolhido — numa travessia de barca pela Baía de Guanabara, numa corrida pelo asfalto da Zona Sul ou num passeio cultural pelo Centro do Rio —, sinto que todos nós viramos novamente debutantes na vida.
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