Publicado 26/12/2021 09:00
Em casa, olho para a minha mesa de trabalho — planejada durante a pandemia — e vejo um pequeno calendário de 2021, em forma de ímã de geladeira, que ganhei de um querido amigo no início do ano. Diante da folhinha com tema carnavalesco, tenho a constatação de que daqui a pouco estaremos vivendo em 2022. Do papelzinho à moda antiga para o mundo virtual, vejo que as redes sociais são tomadas pelo tema que invade dezembro: o inevitável balanço dos últimos 12 meses.
Canceriana típica, gosto mesmo desse vaivém pelo tempo, do ir e vir pelas memórias. Uma hora estou pensando no que já vivi; em outra reflito no que me transformei. Tenho uma predileção declarada por revisitar o passado, repensando as minhas relações com lugares, pessoas e sentimentos. E virei fã da ação terapêutica do tempo. É reconfortante perceber que uma dor antes considerada incurável foi remediada pelo passar dos anos até virar cicatriz.
Mas essa mania de recapitular o já vivido não obedece necessariamente à cronologia formal, de janeiro a dezembro. São períodos de um calendário particular, que só o coração entende. Nada impede que eu goste também das retrospectivas tradicionais — e das histórias por trás delas. Assim que o aplicativo de música liberou o balanço de 2021, já fui acessar. E comprovei que ouvi de tudo um pouco neste ano: foram 514 artistas de 18 gêneros diferentes.
Tive um caso sério com a melodia de Marisa Monte, especialmente com a música 'Calma', em parceria com Chico Brown, que traz no título um desejo bem forte para os tempos difíceis que vivemos. "Eu não tenho medo do escuro/ Sei que logo vem a alvorada...", dizem os versos da canção.
É justamente essa esperança de que o sol vai raiar que também nos move no fim do ano. E fico pensando em como é curioso o poder de dezembro para unir a nostalgia do que vivemos com a fé do novo que está por vir. Ouso dizer que nenhum outro mês do ano entrelaça tão bem o passado e o futuro de forma coletiva. E assim, enquanto o pensamento vagueia, olho ao redor na minha casa e busco nos livros uma herança deixada pela minha mãe: 'Receita de Ano Novo', com poemas de Carlos Drummond de Andrade, edição de 2008. Procuro por um texto de que gosto muito, com o título 'A máquina do tempo':
"Se a máquina do tempo nos tritura,
ao mesmo tempo cria imagens novas.
Renascemos em cada criatura
que nos traz do Infinito as boas novas".
Feliz 2022!
Mas essa mania de recapitular o já vivido não obedece necessariamente à cronologia formal, de janeiro a dezembro. São períodos de um calendário particular, que só o coração entende. Nada impede que eu goste também das retrospectivas tradicionais — e das histórias por trás delas. Assim que o aplicativo de música liberou o balanço de 2021, já fui acessar. E comprovei que ouvi de tudo um pouco neste ano: foram 514 artistas de 18 gêneros diferentes.
Tive um caso sério com a melodia de Marisa Monte, especialmente com a música 'Calma', em parceria com Chico Brown, que traz no título um desejo bem forte para os tempos difíceis que vivemos. "Eu não tenho medo do escuro/ Sei que logo vem a alvorada...", dizem os versos da canção.
É justamente essa esperança de que o sol vai raiar que também nos move no fim do ano. E fico pensando em como é curioso o poder de dezembro para unir a nostalgia do que vivemos com a fé do novo que está por vir. Ouso dizer que nenhum outro mês do ano entrelaça tão bem o passado e o futuro de forma coletiva. E assim, enquanto o pensamento vagueia, olho ao redor na minha casa e busco nos livros uma herança deixada pela minha mãe: 'Receita de Ano Novo', com poemas de Carlos Drummond de Andrade, edição de 2008. Procuro por um texto de que gosto muito, com o título 'A máquina do tempo':
"Se a máquina do tempo nos tritura,
ao mesmo tempo cria imagens novas.
Renascemos em cada criatura
que nos traz do Infinito as boas novas".
Feliz 2022!
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