Integrantes da comunidade da capoeira estiveram no velório do mestre no cemitério Parque da ColinaCarlos Elias Junior/Agência O Dia

Rio - O mestre de capoeira Paulo César da Silva Sousa, o Paulinho Sabiá, executado a tiros em Niterói, na Região Metropolitana, na quarta-feira (18), foi sepultado na tarde desta sexta (20), no Cemitério Parque da Colina, no mesmo município.
Pouco antes, durante o velório, familiares, amigos, fãs e alunos, muitos com camisas do Grupo Capoeira Brasil, fundado por Sabiá, promoveram uma roda de capoeira.
Logo após a notícia da morte de Paulinho se tornar pública, a comunidade dos capoeiristas se manifestou nas redes lamentando a perda: “Hoje acordamos com a triste notícia do falecimento do Mestre Paulinho Sabiá... um dos grandes capoeiristas que tive a satisfação de conhecer”, lembrou um aluno.
O mestre Pulmão, fundador do Grupo Senzala, onde Paulo se formou e uma das mais tradicionais organizações da prática, também prestou sua homenagem: "Hoje, o mundo acordou mais triste, a capoeira está de luto. Mais um grande mestre da nossa arte nos deixou. Mestre Paulinho Sabiá, meus pêsames à sua família e a todos os seus alunos, formados, amigos e companheiros. A capoeira exige Justiça".
Ataque anterior
Uma das mais abaladas no velório, Adriana Possobom, irmã do mestre - uma figura histórica da capoeira contemporânea - chegou a relatar que, antes do homicídio, ele já havia sofrido uma tentativa de ataque perto da Praia das Flexas, dois dias antes, quando registrou ocorrência junto à Polícia Civil. O episódio foi compartilhado quando ela esteve no Instituto Médico Legal (IML) de Niterói para reconhecer o corpo
“Segundo a namorada dele, eles estavam caminhando, voltando para casa e ela teve a impressão de que uma arma falhou. Mas como era Carnaval... Podia ser uma brincadeira. Então eles nem queriam registrar, mas viram uma outra pessoa subir na moto depois. E então, registraram. Infelizmente, a gente não conseguiu evitar que o pior acontecesse", disse.
Adriana também afirmou que não entende o que motivou o crime contra o irmão: "Ele seria incapaz de fazer qualquer mal. Nos anos 80, quando a capoeira era uma coisa mais agressiva, ele participou dos movimentos para pacificar mais isso, a vida dele era a capoeira. Então, com certeza, estamos muito perdidos, não sabemos quem pode ter feito isso, nem por quê".
"Meu irmão não tinha inimigos, era uma pessoa muito especial. Ele não tinha, que a gente soubesse, nenhum desafeto. Era uma lenda da capoeira. Ele era querido por todos, admirado. Tinha um compromisso muito grande com a profissão dele."
A investigação sobre a morte de Paulinho Sabiá está em andamento na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG).