Agressor já foi preso cinco vezes e entregava cartas com teor sexual para a vítima Reprodução / Redes Sociais

Rio - Uma jovem postou nas redes sociais um relato tenso sobre uma rotina de assédio que sofre em seu local de trabalho, na Penha, Zona Norte. Segundo a vítima, o perseguidor é um idoso com 38 passagens criminais e cinco prisões, a maioria por violência contra a mulher, lesão corporal e importunação sexual.

De acordo com o relato, as perseguições tiveram início no dia 6 de março, quando o homem entrou na loja onde ela trabalha fingindo ser um cliente. Na ocasião, ele chegou a mostrar diversos papéis com nomes de outras mulheres, provocando desconforto na vítima. Apenas quatro dias depois, ele retornou e entregou a primeira de uma série de cartas invasivas. Em um dos textos, o criminoso escreveu que "não conseguiu dormir por causa dela" e detalhou que teve "sonhos eróticos" com a jovem.

No sábado (21), ao ser confrontado pela vítima, que pediu para que ele parasse com as abordagens, o homem reagiu com deboche e risadas. Na segunda-feira (23), ele voltou ao local e deixou novas cartas com xingamentos pesados, chamando a jovem e sua colega de trabalho de "piranhas" e fazendo acusações sobre o caráter delas. "São palavras sujas, ofensivas e totalmente desumanas, com o único objetivo de nos destruir moralmente", desabafou.

A vítima relata que permaneceu sete horas na delegacia apresentando provas e assim descobriu a extensa ficha criminal do homem, que permanece solto. "A sensação que fica é de abandono, de revolta e impotência. Isso não é uma 'cantada', isso tem nome: assédio", afirmou a jovem, que agora teme por sua vida.

"A única coisa que consegui perguntar foi: vocês vão esperar eu ser o próximo caso de feminicídio? Vão esperar eu ser a próxima mulher a denunciar uma agressão dele?", questionou a vítima aos policiais.
Nos comentários da publicação, diversas pessoas se solidarizaram com o relato, além de outras vítimas que reconheceram o homem e relataram experiências parecidas. Testemunhas também confirmaram ter presenciado o episódio de sábado.

O DIA tenta contato com a Polícia Civil para questionar os procedimentos adotados. O espaço está aberto para eventuais manifestações.