Rio - A Polícia Civil investiga uma denúncia de homofobia contra o ator João Victor Gonçalves, intérprete de Mau Mau na novela “Quem Ama Cuida”, no entorno do Rock in Rio, na última sexta-feira (4). Na ocasião, o artista estava andando quando foi alvo de deboche, devido à roupa que usava, por parte de um grupo de pessoas, que incluía o streamer conhecido como GH. Registros do momento acabaram sendo divulgados nas redes sociais.
Segundo a instituição, até o momento, não houve registro de ocorrência na delegacia da área. A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), contudo, ao tomar conhecimento dos fatos abriu uma inquérito para apurar o caso.
"A Polícia Civil orienta que todos os casos sejam registrados para que possam ser investigados de forma individual e para que os autores sejam identificados e responsabilizados criminalmente”, disse em nota.
Ainda nas redes sociais, o ator explicou que optou por ir andando ao festival por morar próximo a Cidade do Rock e se emocionou ao relatar o caso.
Já o streamer, inicialmente, tratou a situação como entretenimento e pediu desculpas. Em seguida, acusou João de racismo. "Pega a visão. Não gostei da tua calça mesmo e continuo achando engraçado. Nenhum momento eu fui homofóbico. Você também tem que se retratar. Voce disse que estava com medo de ser roubado. Por causa da minha cor??? Você foi racista!", disse.
GH para João Victor Gonçalves:
"Pega a visão. Não gostei da tua calça mesmo e continuo achando engraçado. Nenhum momento eu fui homofóbico. Você também tem que se retratar. Voce disse que tava com medo de ser roubado. Por causa da minha cor??? Você foi racista!"…
Logo depois, o artista publicou, neste sábado (5), um comunicado repudiando o ataque através dos seus advogados. Confira a nota na íntegra:
"João Victor Gonçalves foi vítima de hostilização motivada por suas vestimentas, em clara relação à discriminação por sua orientação sexual, ao ser abordado e seguido por um grupo de quatro indivíduos que zombaram publicamente da vestimenta, interpretada como de cunho feminino pelo agressores, mas utilizada por um homem, tendo o episódio sido transmitido ao vivo, em tempo real, ao público do autor da hostilização, através de seu canal pessoal na internet.
O deboche público motivado pela não conformidade da vestimenta com padrões normativos de gênero, exposto e amplificado por meio de transmissão ao vivo, constitui ato discriminatório grave, independentemente do uso de termos pejorativos diretos. Em manifestação posterior, o próprio autor da hostilização admitiu que sua conduta teve como finalidade "movimentar" seu canal pessoal, evidenciando que o ato discriminatório foi praticado deliberadamente como estratégia de engajamento e geração de conteúdo, em benefício próprio e às custas da exposição pública não consentida da vítima. Tal confissão afasta qualquer alegação de espontaneidade ou de ausência de intenção, reforçando o caráter deliberado da conduta.
Quanto à declaração de João Victor Gonçalves, ofendido, na qual relatou temor de ser assaltado, esclarece-se que tal manifestação não possui qualquer conotação discriminatória. Trata-se de reação legítima de autoproteção, plenamente justificável diante do contexto fático: ausência de segurança no local, superioridade numérica dos agressores (quatro contra um) e a natureza intimidatória da abordagem. Não há nexo entre o receio manifestado e qualquer elemento de cunho racial.
Registra-se que o autor da hostilização, em manifestação posterior, imputou ao próprio ofendido a prática de racismo, alegação que não encontra qualquer amparo nos fatos ou nas declarações efetivamente proferidas por João Victor Gonçalves. Eventuais manifestações de terceiros — inclusive de cunho racista feitas por seguidores do ofendido contra o autor da hostilização — não podem ser a ele atribuídas, tampouco desviam a análise da conduta originalmente praticada contra a vítima.
Reafirma-se que João Victor Gonçalves figura, nestes fatos, exclusivamente na condição de vítima".
Procurada, a organização do Rock in Rio frisou que repudia qualquer forma de violência, assédio, discriminação ou preconceito e conta com equipe de segurança privada para atuar dentro do festival, enquanto as áreas públicas têm a segurança garantida pelos órgãos competentes. Veja a nota:
"O caso do assédio ocorrido com o ator João Victor Gonçalves aconteceu além das áreas do perímetro de segurança coberto pelo festival. A organização orienta ao público que utilize os transportes oficiais do evento, como BRT, que deixa os passageiros mais próximos das entradas. O Rock in Rio reforça que condutas de assédio são incompatíveis com os valores do festival que tem como compromisso construir um ambiente diverso, inclusivo e respeitoso para todas as pessoas dentro da Cidade do Rock.
Esse compromisso se traduz em ações permanentes de conscientização, prevenção e enfrentamento a qualquer forma de discriminação ou violência, reforçando que o respeito é um valor inegociável. A Cidade do Rock conta com uma área de Pluralidade, que atua para tornar o festival cada vez mais diverso, inclusivo, equânime e acolhedor, promovendo representatividade tanto entre seus colaboradores quanto entre o público.
Acreditamos que o Rock in Rio é um espaço de encontro, respeito e convivência. Por isso, adotamos uma série de medidas preventivas para promover um ambiente seguro, diverso e acolhedor para todas as pessoas, reforçando que qualquer forma de discriminação é incompatível com os valores do festival.
As ações incluem campanhas de conscientização e comunicação ao longo da Cidade do Rock, conteúdos educativos, treinamentos das equipes operacionais para identificação e encaminhamento de situações de discriminação, além da disponibilização de canais de acolhimento para quem sofrer ou presenciar casos de racismo, LGBTfobia, xenofobia, intolerância religiosa, capacitismo, etarismo, gordofobia ou qualquer outra forma de violência ou preconceito".
O Rock in Rio repudia qualquer forma de violência, assédio, discriminação ou preconceito e conta com equipe de segurança privada para atuar dentro do festival, enquanto as áreas públicas têm a segurança garantida pelos órgãos competentes. O caso do assédio ocorrido com o ator João Victor Gonçalves aconteceu além das áreas do perímetro de segurança coberto pelo festival. A organização orienta ao público que utilize os transportes oficiais do evento, como BRT, que deixa os passageiros mais próximos das entradas. O Rock in Rio reforça que condutas de assédio são incompatíveis com os valores do festival que tem como compromisso construir um ambiente diverso, inclusivo e respeitoso para todas as pessoas dentro da Cidade do Rock.
Esse compromisso se traduz em ações permanentes de conscientização, prevenção e enfrentamento a qualquer forma de discriminação ou violência, reforçando que o respeito é um valor inegociável. A Cidade do Rock conta com uma área de Pluralidade, que atua para tornar o festival cada vez mais diverso, inclusivo, equânime e acolhedor, promovendo representatividade tanto entre seus colaboradores quanto entre o público.
Acreditamos que o Rock in Rio é um espaço de encontro, respeito e convivência. Por isso, adotamos uma série de medidas preventivas para promover um ambiente seguro, diverso e acolhedor para todas as pessoas, reforçando que qualquer forma de discriminação é incompatível com os valores do festival.
As ações incluem campanhas de conscientização e comunicação ao longo da Cidade do Rock, conteúdos educativos, treinamentos das equipes operacionais para identificação e encaminhamento de situações de discriminação, além da disponibilização de canais de acolhimento para quem sofrer ou presenciar casos de racismo, LGBTfobia, xenofobia, intolerância religiosa, capacitismo, etarismo, gordofobia ou qualquer outra forma de violência ou preconceito.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.