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Cyro Garcia defende fim das OSs na Saúde e estatização de hospitais privados

Candidato do PSTU participou da sabatina Rio em Frente e apresentou propostas para saúde, segurança, transporte, economia e gestão pública

O candidato do PSTU ao governo do Rio, Cyro Garcia, participou da sabatina "Rio em Frente", promovida por O DIA em parceria com a Fecomércio RJ, a Firjan e a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Durante o encontro, nesta quinta-feira (10), mediado pela jornalista Aline Pacheco, o postulante apresentou propostas para diversas áreas e fez declarações contundentes sobre saúde pública, segurança, transporte e economia.

Entre os temas que mais chamaram atenção estiveram a defesa da estatização de hospitais privados, o fim das Organizações Sociais (OSs) na saúde, a desmilitarização da Polícia Militar e a oposição às operações policiais em comunidades.


Saúde: fim das OSs e estatização de hospitais privados

Ao abordar a saúde pública, Cyro Garcia afirmou que pretende encerrar os contratos com Organizações Sociais e ampliar a rede pública por meio da contratação de servidores concursados.

Segundo ele, as OSs representam um modelo que favorece a retirada de recursos públicos e a precarização do trabalho na área.

"Organizações sociais, papel zero. As organizações sociais nada mais são do que antros de corrupção. Nós temos que acabar com as OSs, fazer concursos públicos para médicos, enfermeiros, técnicos e demais profissionais da saúde", afirmou.

O candidato também defendeu a ampliação da estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS), com a construção de hospitais e a reativação de unidades estaduais.

Outra proposta apresentada foi a estatização da rede privada de saúde. "Defendemos estatizar os hospitais privados ligados aos planos de saúde e colocá-los sob controle dos trabalhadores e dos usuários para ampliar a oferta de atendimento do SUS", declarou.

Cyro ainda afirmou que pretende acabar com as filas de regulação e ampliar o acesso aos serviços de saúde por meio do fortalecimento da rede pública.


Segurança: desmilitarização da PM e fim da guerra às drogas

Na área da segurança pública, o candidato criticou o modelo atual de enfrentamento ao crime organizado e afirmou que pretende priorizar ações de inteligência.

Cyro defendeu o fim da política que classificou como "guerra às drogas" e propôs mudanças estruturais nas forças de segurança.

"Temos que acabar com essa falácia da guerra às drogas, que criminaliza a pobreza e promove verdadeiros homicídios da juventude negra das favelas e periferias", disse.

Entre as propostas apresentadas estão a desmilitarização da Polícia Militar, a unificação das polícias Civil e Militar em uma única corporação e a eleição de comandantes e delegados.

"Eu defendo a desmilitarização das PMs, com eleição de comandantes e delegados, e a formação de uma só polícia, com uma parte voltada ao policiamento ostensivo e outra à inteligência", afirmou.

Contra operações policiais em favelas

Cyro também declarou ser contrário às operações policiais em comunidades. Segundo ele, a atuação do Estado deve se concentrar no combate ao financiamento das facções criminosas e das milícias.
"Nós somos radicalmente contra as operações policiais nas favelas. Cada operação significa crianças sem aula, trabalhadores impedidos de sair de casa e pessoas sem acesso aos postos de saúde", afirmou.

Porém o candidato defendeu a ampliação da presença do Estado em áreas dominadas pelo crime organizado, com oferta de serviços públicos e combate às fontes de financiamento das organizações criminosas.

Transporte: reestatização de metrô, trens e barcas

Durante a sabatina, Cyro Garcia voltou a defender a reversão de privatizações realizadas no estado. Ele afirmou que pretende reestatizar o metrô, os trens urbanos e o sistema de barcas. "O transporte público é um bem essencial. Não pode estar a serviço do lucro de uma meia dúzia. Defendemos a reestatização do metrô, dos trens e das barcas", disse.

O candidato também propôs a criação de uma empresa estadual de ônibus, expansão da malha metroviária para regiões como São Gonçalo, Itaboraí e Zona Oeste e a implantação gradual da tarifa zero.

Economia e tributação

Na área econômica, Cyro afirmou que pretende taxar grandes fortunas e aumentar a cobrança sobre grandes grupos econômicos, ao mesmo tempo em que promete reduzir a carga tributária para pequenos e médios empresários.

"Temos que taxar os super-ricos e os grandes grupos econômicos. O pequeno empresário precisa de incentivo e de uma carga tributária menor", declarou.

O candidato também criticou benefícios fiscais concedidos por governos anteriores e defendeu a reestatização de empresas consideradas estratégicas, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Educação e geração de empregos

Cyro defendeu a realização de concursos públicos para reduzir o déficit de profissionais da educação e ampliar a oferta de ensino integral.

O candidato também propôs investimentos na Faetec, universidades estaduais e programas de obras públicas voltados ao saneamento, habitação popular, dragagem de rios e recuperação ambiental.

Segundo ele, essas medidas poderiam gerar empregos e estimular o desenvolvimento econômico em diferentes regiões do estado.

Conselhos populares e gestão

Questionado sobre a relação com a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Cyro voltou a defender a criação de conselhos populares para participação direta da população nas decisões do governo.

"Queremos deslocar o centro do poder para conselhos populares eleitos nos locais de trabalho, moradia, escolas e hospitais. A população precisa participar das decisões sobre orçamento e prioridades do Estado", afirmou.

Ao longo da sabatina, o candidato também abordou temas como turismo, agricultura familiar, mobilidade urbana, combate às desigualdades raciais e políticas voltadas para trabalhadores de aplicativos. Segundo o candidato do PSTU, seu programa de governo tem como eixo central a ampliação da participação popular nas decisões do Estado e a reversão de privatizações realizadas nas últimas décadas.

Cyro Garcia foi o terceiro entrevistado da série de sabatinas do projeto Rio em Frente, iniciativa promovida pelo jornal O DIA, pela Fecomércio RJ, com parceria institucional da Firjan e da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

O Rio em Frente reúne entrevistas com os candidatos ao Palácio Guanabara para discutir temas considerados estratégicos para o estado, como segurança, saúde, infraestrutura, geração de empregos, mobilidade e políticas sociais.

Cyro Garcia tem 71 anos, é ex-bancário, historiador, professor e militante socialista. Formado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com mestrado e doutorado em História pela Universidade Federa Fluminense, foi presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, participou da fundação do PT e da CUT nos anos 1980 e atualmente integra o PSTU, partido do qual é dirigente desde sua fundação, em 1994. Também exerceu mandato de deputado federal por dez meses, em 1993, como suplente de Jamil Haddad.
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