E aí, vida? Qual é a tua?

Viver a história que vai ser contada lá na frente está sendo cansativo e doloroso

Por Isabele Benito

Enfim. chegaremos ao tal sonhado setembro. Quando lá em março falaram pra gente de quarentena, todo mundo deu um pulo: 
“Quarenta dias?!” E aí, uns diziam pra amenizar: “É só modo de falar, na verdade são quinze”. Alívio temporário e logo o choque de realidade que se arrasta até agora... Seis meses de pandemia.

Realmente, viver a história que vai ser contada lá na frente tá sendo cansativo e doloroso. Perdi meu amigo, que não conheceu nossa pequena menina, como tantos outros cento e dez mil brasileiros com suas histórias cortadas. O que dói não é só o tchau, é o que todos não vão ver como isso termina. E como será que termina?

Os mesmos que nos avisaram lá atrás que isso só acabaria em setembro, e ele já tá aí, por mais corajoso e realista, não previa que a gente poderia piorar o que devastou o mundo. Aqui o ser humano mostrou o seu pior, do povo que não liga para o outro e continua na sua defesa ignorante negando a doença, mas mostra a sua essência cruel e egoísta. E autoridades que usaram da pandemia para mostrar os dentes fortes da corrupção. 
Pobre Rio de Janeiro da gente de bem. Fracassamos como gente, essa é a realidade! A vacina vai demorar, mas vai chegar, porém o antídoto da ganância, da falta de caráter e da falta de empatia que já é endêmica e só vejo ganhar força... Esse sim tá longe de ser criado, sabe por que? Não interessa aos poderosos um povo vacinado.

Pingo no I

Livro Evoé - Reprodução
Nas fotos, Paulo Autran, Tarcísio Meira, José Wilker e muitos outros nomes do teatro... Enquanto as peças não voltam aos palcos, os profissionais da cultura seguem num perrengue danado... O setor artístico foi um dos mais prejudicados pela pandemia! E quem faz o teatro não é só o ator... Teatro é do contra-regra, de quem trabalha na bilheteria, na limpeza...

Por isso, a fotógrafa Priscila Frade publicou o livro “Evoé”, com várias registros. Todo o lucro da venda será destinado aos que tanto se dedicam à arte. É pra pagar conta, pra sobrevivência mesmo! “A intenção é valorizar a importância do fazer, num momento tão frágil pro setor”, conta Priscila.

Bora colocar o Pingo no I...

Cultura é fundamental na formação do ser humano! Não se pode ver a arte como inimiga... É hora de ajudar a quem tanto nos oferece alegria.

Tá feio!

Rita de Oliveira Jordão, no Hospital Rocha Faria - Arquivo pessoal
O depoimento chegou pelas redes sociais do filho... Um hospital lindo, bem decorado, todo em vidro... Até com plantinhas! Esse é o Rocha Faria, em Campo Grande.

Mas cadê o atendimento digno que o povo merece? Dona Rita de Oliveira Jordão, moradora do bairro, está tratando um câncer no peritônio e ontem passou mal, uma suspeita de AVC. Segundo a família, ficou por quase 15 horas na emergência, sendo medicada com dipirona. Nada de uma tomografia ou eletrocardiograma!

A família ainda tentou uma transferência para o Hospital Mário Kroeff, onde ela faz tratamento, mas não conseguiu. A demora foi tanta que os parentes de Rita desistiram e tiraram a senhora do hospital. “Um show de horrores. Minha mãe gritava de dor e o que separava a gente era um vidro. Sensação de impotência absurda diante do sofrimento dela ”, conta Marlon Jordão, um dos filhos.

A coluna cobrou a RioSaúde, que em nota afirmou que Dona Rita foi avaliada pelo médico, onde foram pedidos exames indicados para os sintomas: raio-x e sangue. Também informou que ela seguia sob monitoramento na sala de medicação, mas a família optou por retirá-la à revelia do hospital na madrugada, interrompendo o tratamento.

Se você me perguntou se tá feio ou tá bonito... Não adianta nada estar bonito por fora, se o que interessa mesmo não funciona, e tenho dito.

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