O que precisa mudar por aqui?

Autoridades e cidadãos vão estabelecer prioridades e discutir políticas públicas na Conferência das Cidades

Por aline.cavalcante

Alguns pensam em girar a economia com construções de luxo nas partes centrais da cidade, outros querem trazer a população de baixa renda para essa região. Uns lutam por mais espaço para ciclovias, outros querem mais faixas para carros de passeio. Não é fácil adotar políticas públicas que agradem a todos. É importante que todos participem na construção de uma nova cidade. E a hora é agora!

Começa na sexta-feira a 6ª Conferência Municipal das Cidades. Cidadãos e representantes dos poderes públicos e privados vão discutir soluções para enfrentar problemas no trânsito, moradia e meio ambiente.

Dos debates saem diretrizes que serão incluídas no novo Plano Diretor Municipal, que está em processo de revisão.

Trânsito da Alameda%2C no Fonseca%2C é um dos problemas Fotos de arquivo O DIA

Um dos temas mais esperados é mobilidade urbana. Apesar das obras da TransOceânica e criações de novas ciclovias, a população não está satisfeita. Quem mora na Zona Norte reclama da falta de investimentos na região. Ciclistas afirmam que não há segurança para as bicicletas. O professor da UFRJ Eduardo Andrade diz que somente 24% da população de Niterói se locomove de carro, mas isso é suficiente para ocupar 80% de todo o espaço físico das ruas da cidade. “Não existe solução de mobilidade com automóvel”, adiantou.

Organizador da Conferência e diretor da Faculdade de Direito da UFF, o professor Wilson Madeira já disse que outro tema de destaque será o investimento em habitação de interesse social. Para ele, a negligência do assunto causa o crescimento desordenado da cidade. “Os mais pobres não têm onde morar e acabam construindo no morro. Também não é solução levar essa parcela da população para a periferia”, destacou.

Chão do conjunto Zilda Arns já apresenta rachadurasFotos de arquivo O DIA

Presidente da Ademi, Bruno Serpa Pinto briga pelos interesses do mercado imobiliário. Ele afirma que as construções estão travadas por falta de uma legislação com regras claras. Segundo a Ademi, o mercado funcionando a pleno vapor gera cerca de R$ 7 milhões à prefeitura em novos IPTUs a cada ano. Isso sem contar os impostos pagos pelas construtoras que podem chegar a mais de R$ 70 milhões em um ano.

A prefeitura vai participar dos debates da Conferência e considerar as questões abordadas para a elaboração do novo Plano Diretor. O documento está previsto para ser apresentado à Câmara de Vereadores em setembro deste ano. O município está pagando R$ 1,9 milhão para especialistas da FGV elaborarem o novo Plano.


Participe

Organizador da 6ª Conferência Municipal das Cidades, o diretor da Faculdade de Direito da UFF, Wilson Madeira, destaca que a participação da população é essencial para fiscalizar o poder público e construir uma nova cidade. “Não adianta só reclamar do governo”, ponderou.

O evento acontece de sexta à domingo. Todos os debates são abertos ao público. Acontecem no campus de Direito da UFF da Rua Presidente Pedreira 62, Ingá.

E amanhã será realizada a quarta e última pré-conferência, quando também serão definidos os nomes que vão compor as mesas de debate na Conferência. Vai ser na Rua Tiradentes 17, Ingá. 

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