Supermercados no alvo do Procon

Segundo superintendente, operações de fiscalização vêm sendo realizadas nos estabelecimentos

Por O Dia

Nas incursões feitas pelo Procon apura-se o aumento abusivo de preços nos supermercados e na cadeia de distribuidores e produção
Nas incursões feitas pelo Procon apura-se o aumento abusivo de preços nos supermercados e na cadeia de distribuidores e produção -

Os supermercados estão entre os principais alvos de denúncias encaminhadas ao Procon Municipal de Nilópolis, autarquia vinculada à Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos, desde o início da pandemia.

De acordo com o superintendente do Procon Municipal, Doutor Luis Fabiano, operações de fiscalização vêm sendo realizadas em diversos estabelecimentos para apurar o aumento abusivo de preços nos supermercados e na cadeia de distribuidores e produção por descumprimento da Lei Estadual 8.769/2020.

Ela veda a majoração, sem justa causa, do preço de produtos ou serviços, durante o período em que estiver em vigor o Plano de Contingência do novo coronavírus da Secretaria de Estado de Saúde.

"Identificamos que a alta passava a ser generalizada, diferenciando-se dos casos que investigamos e que estavam ligados aos aumentos do frete. Agora, os aumentos estão diretamente ligados à linha produtiva. Produtos aumentam desde o fornecimento na origem e isso provoca inflação na prateleira em momento sensível de nossa sociedade", diz Luis Fabiano.

Ele explica ainda que, em todos os supermercados vistoriados, não foram constatados indícios de irregularidades: "As notas fiscais de entrada dos produtos vieram em consonância com o preço de prateleira, não justificando autuação por prática desleal com o consumidor. O problema vai além. Novamente o grupo dos Procons do Rio de Janeiro foi consultado e o fenômeno era generalizado. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) foi notificada e imediatamente passou a investigar".

"A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) foi avisada e se posicionou, culpando a alta do dólar e o aumento no consumo, provocando desequilíbrio na produção, já que a oferta de exportações se tornou mais atrativa e países asiáticos passaram a comprar o produto nacional desequilibrando o princípio de oferta/demanda, ocasionando a alta de preços no mercado interno", esclarece.

Ainda de acordo com o superintendente, o Procon Nilópolis segue monitorando e visitando os supermercados para averiguar as denúncias. O atendimento presencial no local está suspenso desde março e sem previsão de retorno. As reclamações e denúncias devem ser feitas pelo e-mail: procon@nilopolis.rj.gov.br.

Preços altos também em Nova Iguaçu

Vinícius reclama dos valores - Arquivo Pessoal

Quem sente na pele essas variações de preços dos produtos nos supermercados é o povo, que, por necessidade, nada pode fazer para melhorar a situação e acaba ficando de mãos atadas. O poeta e músico Vinícius Henrique, de Nova Iguaçu, entende bem o que é viver com a inflação dos valores. O artista de 31 anos afirma ser visível a mudança nos gastos com alimentação.

"Antes da pandemia, costumava fazer uma compra mensal aqui para casa, em torno de R$ 800. Atualmente, eu não consigo mais manter o valor de gasto, por conta do aumento dos produtos. O arroz, que custava R$ 9, agora está entre R$ 14 e R$ 16; a carne de segunda aumentou em R$ 11. Então, tem ficado bastante difícil equilibrar as contas e minha família e eu não conseguimos encontrar uma explicação para todo esse aumento", reclama Vinícius.

"O povo diz que o setor de mercado nunca parou por conta da pandemia, então qual a razão para inflacionar os preços dessa maneira? Muita gente perdeu o emprego e as condições de trabalho, alguns até autônomos. Tudo aumentou de valor e sem motivo plausível. Pelo que vejo, estão aumentando o preço nos alimentos mais básicos, o que deveria não ocorrer. O sentimento que fica é que estamos sempre sendo extorquidos pelo sistema e ganância de quem está no controle", finaliza.

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