Proposta para criar shopping em Barra do Piraí esbarra em ferrovia

Empresários pretendem fazer centro comercial a céu aberto. Mas trem que passa a cada 20 minutos é empecilho

Por clarissa.sardenberg

Rio - O centro comercial de Barra do Piraí, no Sul Fluminense, fica numa área de um quilômetro quadrado com 300 estabelecimentos comerciais, oito agências bancárias e cinco supermercados. Empresários pretendem transformar a região num shopping a céu aberto, tornando o horário de funcionamento mais flexível nos domingos e feriados. Mas a proposta, apresentada na abertura da quinta etapa regional do Mapa Estratégico do Comércio, ontem à tarde, também está condicionada a outra medida: uma alternativa para melhorar o fluxo de pessoas, interrompido a cada 20 minutos pela passagem do trem na via férrea que corta a cidade.

Sugestão de empresários é que a passagem do trem passe a ser subterrânea%2C liberando a área para a instalação de shopping a céu abertoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Um cruzamento que ganhou notoriedade no mundo inteiro pelas imagens de um idoso que quase foi atropelado por uma composição, em novembro do ano passado. A cena foi registrada por duas câmeras e reproduzida na internet. “Barra do Piraí é uma cidade que vive do comércio. E o trem atrapalha muito. Precisamos apresentar uma proposta para a construção de uma passagem subterrânea ou de um viaduto para evitar que a cidade pare a cada 20 minutos”, diz o empresário Orlando Pimentel, presidente do Sindicato Varejista do Comércio (Sicomércio) da Barra do Piraí, que organiza o evento em parceria com o Sistema Fecomércio RJ.

Na passagem da Rua Aureliano Garcia para a Praça Nilo Peçanha, bem no centro comercial, há uma placa: ‘cruzamento via férrea’, que serve para alertar pedestres e carros. A cena é comum e repetida. O barulho anuncia a chegada do trem. Quando passa, a cidade para. Um grupo de pedestres, carros e ciclistas esperam perto dos trilhos por cinco minutos até a passagem completa de todos os vagões.

Queixas de pedestres

O mais curioso é que as pessoas já não estranham a situação. “O pessoal já se acostumou com o hábito de esperar”, justifica Sandrineia Soares Winter, dona de um comércio na Aureliano Garcia. “É normal. A cidade foi construída em torno da ferrovia. Nós temos que conviver com isso”, explica o vendedor Luiz Antônio Moreira, 40 anos, um dos pedestres que esperava a passagem do trem para atravessar para o outro lado do centro comercial da cidade.

Mas nem todos tinham a mesma resignação. Carolina Soares, 22 anos, está grávida de oito meses. Mas a espera da passagem completa do trem se tornou um problema. “Estou com muita vontade de ir ao banheiro, mas preciso esperar o trem passar. É horrível”, criticou.

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