Vai de Táxi, Uber, T81 ou WillGo? Saiba o que é mais vantajoso

Com lançamento de novos aplicativos para transporte passageiros têm cada vez mais opções para escolher como se locomover na cidade

Por O Dia

Rio - Na disputa entre aplicativos de táxi e de transporte particular, quem ganha — pelo menos em alternativas — é o passageiro. Além do pioneiro Uber, que lançou um modelo de compartilhamento de viagens no Rio semana passada, os concorrentes T81 e WillGo chegaram à cidade oferecendo facilidades como preços previsíveis, pagamento em dinheiro e até motos para ganhar tempo no trânsito.

Apps que operam com os amarelinhos credenciados pela prefeitura, como Easy Taxi e 99Taxis, apostam em promoções para não ficarem atrás na corrida pela clientela. O DIA levantou as características dos apps para ajudar os passageiros na escolha. Se a prioridade for economia, as plataformas de transportes particulares têm preços menores, em geral.

Wallace gostou de ter mais opções de transporte. 'Com mais concorrência%2C melhora o serviço'%2C diz eleSandro Vox / Agência O Dia

Considerando os serviços em veículos populares, uma simulação de viagem da Praça Saens Peña, na Tijuca, até a Praça 15, no Centro, custa R$ 14,80 no T81. No Uber, a conta ficaria entre R$ 14 e R$ 20 (UberX), ou de R$ 16 a R$ 17 se for na opção UberPool, em que o usuário divide a corrida com outros que vão para o mesmo destino.

As tarifas do T81, único serviço particular que aceita dinheiro, e do UberX são compostas por preço base somado a valor por quilômetro e por minuto. Ao contrário dos novos apps, o Uber aplica tarifação dinâmica quando a demanda é alta, elevando os preços. A vantagem do UberPool é ter o valor antecipado com desconto, mas não é recomendado para quem tem pressa, pois o motorista pode mudar de rota para pegar mais passageiros.

Segundo o Easy Taxi, a corrida de táxi no mesmo percurso sairia por cerca de R$ 20, na bandeira 1, e R$ 23, na bandeira 2 (das 21h às 6h e domingos e feriados), considerando os valores do taxímetro, que conta por distância e tempo. Como o 99Taxis também opera com os táxis municipais, o preço seria na mesma faixa. Uber, T81 e WillGo não têm bandeira 2.

Para quem está com o horário apertado, o Easy Taxi e o 99Taxis podem ser mais vantajosos, já que os tradicionais amarelinhos trafegam em faixas seletivas e corredores BRS, preferenciais para ônibus. O T81 e o WillGo saíram na frente com mototáxi e motoentrega, que driblam engarrafamentos.

Acuada pela concorrência, a Easy Taxi está com campanha de 30% de desconto em corridas através de pagamento pelo app, realizada em parceria com motoristas que aceitaram reduzir o valor de suas viagens. Já a 99Taxis dá 10% de desconto na primeira viagem pagando com cartão de crédito ou PayPal.

“Quanto mais opções, melhor. Com mais concorrência, melhora o serviço de todos”, diz o publicitário Wallace Luiz Alves, de 24 anos, usuário do Uber. A empresária Thamyres Nascimento, 24, substituiu o 99Taxis pelo T81 para economizar. “Tenho um negócio de crepe em eventos e, no T81, não pago extra para levar mercadorias”, diz ela, que é filha de taxista.

Compare os serviços e preçosAgência O Dia

Para especialista, prefeitura deveria regulamentar

Os aplicativos que operam com motoristas privados não são regulamentados pela Prefeitura do Rio, mas têm autorização para funcionar na cidade desde o ano passado por liminar do Tribunal de Justiça. Especialistas em direito do consumidor garantem que a ausência de regulamentação municipal não torna os clientes do Uber, T81 e WillGo desprotegidos juridicamente.

“O Uber tem natureza de setor privado e táxis, natureza de setor público, mas ambos representam uma relação de consumo e aplica-se o Código de Defesa do Consumidor”, diz a advogada Andrea Rocha, do escritório Sérgio Camargo Advogados Associados.

O advogado José Ricardo Ramalho ressalta que as novas plataformas não perdem no quesito segurança para as oficiais, já que checam os antecedentes criminais dos motoristas cadastrados nas esferas federal e estadual. “A fiscalização do serviço é feita pelos próprios usuários, que avaliam os profissionais ao fim da corrida. De acordo com a média de avaliações, os motoristas podem até ser descredenciados”, acrescenta.

Clarisse Linke, diretora do Instituto de Política de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), defende que a prefeitura não pode continuar ignorando os novos aplicativos. Para a especialista, uma regulação municipal permitiria avançar em estratégias de integração desses modos com o sistema de transporte público da cidade. “Não tem como segurar essa onda, porque a sociedade está sedenta por opções de qualidade, então tem uma oferta e demanda chegando”, avalia Clarisse.

‘A CELEUMA ESTÁ ERRADA’

5 MINUTOS COM:

HUGO REPOLHO Professor do CTC da PUC-Rio

O especialista em mobilidade urbana Hugo Repolho avalia que o Uberpool é a grande novidade do transporte individual no Rio, introduzindo o conceito de compartilhamento.

1. Para a mobilidade, as novas opções de transporte por aplicativos são positivas ou negativas?
— Positivas. O aparecimento destes operadores introduz o conceito de consumo colaborativo no transporte. Quebra-se a visão das últimas décadas de transporte individual. Relatório de 2016 da Associação Americana de Transporte Público revela duas conclusões. A primeira é que o aumento do uso dos transportes colaborativos contribui para que a população use mais o sistema coletivo, em detrimento do privado. A segunda é que os transportes colaborativos complementam o sistema de transporte público, melhorando a mobilidade. Este tipo de transporte pode funcionar como alimentador do sistema público.

2. O que acha do embate entre taxistas e motoristas do Uber?
— A celeuma gerada tem sido, a meu ver, errada. Não deveríamos discutir se o aparecimento do Uber, T81 ou WillGo têm impacto na rentabilidade dos táxis, mas sim se o serviço é benéfico e se a situação profissional dos motoristas é legal, como trabalhadores independentes ou contratados das empresas.

3. Por que a resistência do poder público em regular?
— Os negócios colaborativos vão continuar a florescer mundialmente. A negação destes sistemas pode levar ao mercado paralelo, sem controle e sem receita para o poder público.


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